Em um relato contundente e emocionado, a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) detalhou a prisão de um pedreiro de 39 anos, ocorrida na última quarta-feira (29), no município da Serra. O homem é acusado de estuprar as duas filhas biológicas, de 15 e 7 anos, e a enteada, de 14 anos. Os abusos contra a filha mais velha teriam começado quando ela tinha apenas seis anos de idade.
De acordo com as investigações, o ciclo de violência durou quase dez anos. O caso só veio à tona após as duas adolescentes mais velhas se unirem para proteger a irmã mais nova, de apenas 7 anos, ao perceberem que o pai estava iniciando atos libidinosos contra a criança.
O Ciclo da Violência
A dinâmica familiar apresentada pela polícia revela um cenário de manipulação e medo. A filha mais velha, hoje com 15 anos, começou a sofrer abusos em 2015. Mesmo após a morte da mãe biológica em 2023, quando passou a morar integralmente com o pai, a violência se intensificou.
A enteada, de 14 anos, também era vítima frequente. Segundo a DPCA, as duas adolescentes sabiam da dor uma da outra e criaram um laço de amizade e proteção. “Elas se uniram na defesa da terceira filha. O sentimento era: ‘comigo eu aceito, mas com a nossa irmã menor, não'”, relatou o delegado durante a coletiva.
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Provas Técnicas e Crueldade
A investigação trouxe provas técnicas robustas. Um dos laudos periciais de uma das adolescentes apontou a presença de lesões condilomatosas (verrugas decorrentes de IST/HPV). A vítima foi enfática ao afirmar que nunca teve contato sexual com nenhum outro homem além do próprio pai.
O delegado ressaltou que, embora o agressor use a justificativa de que as filhas “não gostavam dele por ser rígido”, o contexto probatório — incluindo escutas especializadas com psicólogas e assistentes sociais — não deixa dúvidas sobre os crimes.
“A nossa função maior é quebrar o ciclo de violência. Mais do que prender, é tirar a criança daquela situação”, afirmou a autoridade policial, visivelmente emocionado.
A Prisão e o Papel da “Tia Heroína”
A denúncia decisiva partiu de uma tia materna, descrita pela polícia como uma “heroína”, que acolheu a adolescente mais velha após ela fugir de casa para buscar proteção. A madrasta das meninas, embora vivesse na mesma casa, foi considerada isenta de culpa pela investigação, pois saía muito cedo para trabalhar e não havia evidências de conivência — as vítimas confirmaram que o pai agia apenas em sua ausência e sob ameaças.
O acusado foi preso em seu local de trabalho, uma obra na Serra, e não ofereceu resistência. Ele já responde à ação penal por estupro de vulnerável contra as três vítimas e foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) da Serra.
Como Denunciar
A Polícia Civil reforçou ao Tempo Novo a importância de que vizinhos, familiares ou profissionais de saúde e educação denunciem qualquer suspeita de abuso contra menores.
* Disque 100: Direitos Humanos.
* Disque 181: Disque-Denúncia (sigilo absoluto).
* Conselho Tutelar da sua região