Uma voz da mulher negra da periferia serrana

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Naira Valente é moradora de Balneário Carapebus e tem 20 anos. Foto: Divulgação Douglas Bonella
Naira Valente é moradora de Balneário Carapebus e tem 20 anos. Foto: Divulgação Douglas Bonella

Ana Paula Bonelli

Uma moradora de Balneário de Carapebus tem dedicado sua produção artística à luta contra o racismo na Grande Vitória. Trata-se de Naira Valente, cantora, compositora e ativista, que com apenas vinte anos, traz em seus trabalhos a vivência da periferia. Ela atua na música, no audiovisual e na literatura.

Segundo Naira, sua inspiração vem do dia-a-dia. “Sou uma mulher preta que vive e um Estado onde o racismo institucional é bem presente. Busco inserir em minhas letras situações cotidianas da juventude de periferia, com a legitimidade de quem deste recorte faz parte”, destaca a cantora.

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Ela participa de um projeto audiovisual chamado Palavra Negra, em que jovens de periferias da Grande Vitória fazem interpretação de poemas autorais e de poetas negros icônicos.  Quem quiser conferir pode entrar no YouTube no canal que leva o nome do projeto clicando aqui.

Atualmente, Naira estuda na Ufes onde cursa Artes Visuais . Por lá, a compositora também milita no Coletivo Negrada. “Um grupo de estudantes cotistas da universidade que trabalha em articulação para a garantia de permanência destes alunos na Federal”, conta.

Seu som tem influências do rap, blues, soul e dub e a temática que prevalece são as mulheres. “Busco uma reflexão sobre a falta de espaços e oportunidades profissionais, o que muitas vezes tem como consequência dependência financeira e emocional, que prejudicam a autonomia da mulher na sociedade”.

Naira destaca que seu foco é ser uma mensageira contemporânea nas diversas vertentes de comunicação que a arte possibilita. “Tanto com oralidade, quanto em apropriação de recursos visuais, me utilizando da ilustração e do graffiti para aumentar o acesso ao recado a ser passado”.

Em agosto a serrana lançou um livro digital independente, cujo o título é ‘Particularidade’. “Uma narração poética dos processos de racismo pela qual passamos em nosso dia-a-dia, contendo poesias e ilustrações, tendo seu gênero registrado como literatura marginal”, explica.

O trabalho ‘Particularidade’ pode ser conferido clicando aqui.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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