“Temos expectativa do retorno da Samarco, do advento do Porto Central e da EF 118”

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“Temos expectativa do retorno da Samarco, do advento do Porto Central e da EF 118”
Lúcio Dalla Bernardina disse que a maioria das empresas de metalmecânica do ES fica na Serra e espera melhoria com novos projetos. (Foto: Divulgação/Sindifer)

A Serra recebe na próxima semana, entre os dias 6 e 8, a maior feira do segmento metalmecânico, energia e automação do Espírito Santo, a Mec Show 2019 – Feira da Metalmecânica + Inovação Industrial -, que está na 12ª edição. Integrada à Mec Show, acontece a Feira e Conferência do Petróleo e Gás (Espírito Santo OIL & GAS).

Apesar do momento difícil da economia nacional e da capixaba, sobretudo esta última, devido à paralisação da Samarco e da redução da produção de minério da Vale por conta do rompimento da barragem em Brumadinho, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do estado (Sindifer-ES), Lúcio Dalla Bernardina está otimista.

Nessa entrevista, ele diz que espera o retorno da Samarco e afirma que obras da Vale e Arcelor contra o pó preto vão ajudar a gerar dois mil empregos no setor metalmecânico. Também disse que o setor, cuja maioria das 1,3 mil empresas está na Serra, será impulsionado caso se concretizem os projetos do Porto Central e a nova ferrovia ligando a Grande Vitória a Anchieta.

Quantas empresas do setor metalmecânico há no ES? E na Serra?

São cerca de 1.300 empresas no estado, e a Serra tem o maior número.

Quantos empregos diretos o setor gera? E indiretos?

Em torno de 25 mil trabalhadores. Cerca de oito mil indiretos; quando tinha a Samarco, chegava a 10 mil.

Qual a importância do setor em termos de PIB e/ou tributos para o estado?

Hoje é em torno de 13%, pois caiu por conta do fechamento da Samarco, que correspondia de 5 a 6% do PIB capixaba.

A redução da produção do minério de ferro afeta o setor metalmecânico de que forma?

Ainda não afetou no estado, pois a Vale tem trazido minério de outras minas que não estão interditadas. Não houve desabastecimento ainda; não afetou a indústria siderúrgica do ES. As que foram fechadas temporariamente não tinham um volume significativo. E a Vale acabou priorizando as empresas de pelotização que são do próprio grupo.

Quais são as oportunidades de negócios com as obras de Arcelor e Vale para reduzir o pó preto?  

Estima-se que vá gerar cerca de dois mil empregos em cinco anos. É significativo para o setor, pois tanto a Vale quanto a Arcelor dão preferência a empresas locais e, consequentemente, melhora o nível de emprego do nosso setor.

Qual a expectativa do setor em relação à Mec Show?

A expectativa é a melhor possível. É nossa 12ª edição, esperamos voltar aos números de 2013, que foi o nosso melhor ano. Nos últimos três anos, ela vem crescendo. E neste ano já estamos com 165 expositores confirmados em 10 mil m² e esperamos mais de 13 mil visitantes. A feira é mais de relacionamento e abre caminhos para negócios posteriores.

Quais as perspectivas futuras para o setor?

As indústrias que geram mais negócios não geram crescimento vertical, mais horizontal. Então, as empresas estão buscando demanda fora do nosso estado. Mas temos expectativa de retorno da Samarco, que vai gerar um bom volume de empregos; do advento do Porto Central; da construção da EF 118, que liga Vitória a Anchieta.

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