Sobretaxa do aço ameaça milhares de empregos na Serra

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Produção de aço na ArcelorMittal Tubarão: 12,5% da produção da siderúrgica instalada na Serra vai para o mercado norte-americano, segundo o Instituto Aço Brasil. Foto: Arquivo TN / Bruno Lyra

 

Produção de aço na ArcelorMittal Tubarão: 12,5% da produção da siderúrgica instalada na Serra vai para o mercado norte-americano, segundo o Instituto Aço Brasil. Foto: Arquivo TN / Bruno Lyra

A suspensão da sobretaxa de 25% para importação de aço no EUA enquanto o Governo Trump negocia com o Brasil, alivia a economia do Estado e da Serra, que podem sofrer forte impacto caso o aumento seja efetivado. E um dos principais temores é a perda de empregos.

Isto porque afeta diretamente as duas maiores empresas que atuam no Estado, a ArcelorMittal Tubarão e Vale, além de toda cadeia produtiva associada a elas. Os EUA compram 40% de placas de aço e 10% bobinas da Arcelor. E o minério usado para a fabricação é fornecido pela Vale.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos no Estado do Espírito Santo (Sindimetal), Max Célio de Carvalho, só a ArcelorMittal Tubarão e Vale geram quase 15 mil empregos no estado, parte deles na Serra, já que parte das gigantes está instalada no município, bem como suas fornecedores, espalhadas nos polos industriais da cidade.

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“Só na Arcelor são cerca de 7,5 mil trabalhadores e mais 8 mil na Vale, fora os terceirizados. Ainda tem muita coisa para acontecer, mas é claro que se a sobretaxa se concretizar será um aspecto bem negativo para o estado e para a Serra, pois vai reduzir a produtividade e consequentemente os postos de trabalho”, aponta.

Para ele, no entanto, a decisão do presidente americano deve ser revertida. “O principal produto capixaba e brasileiro exportado é semimanufaturado e é manufaturado nas empresas americanas, portanto além da pressão externa há pressão interna. Avaliamos que esse anúncio do Trump é mais uma movimentação política que econômica, pois para manter as negociações ele determinou algumas medidas. Por exemplo, ospaíses interessados em negociar não podem entrar com processo na Organização Mundial do Comércio”, explica.

Para o 1° vice-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), José Carlos Zanotelli, a suspensão da sobretaxa reduz o impacto na economia capixaba. “Não temos os possíveis números de empregos que seriam perdidos caso a sobretaxa se consolide, mas com a tendência do governo Trump em não sobretaxar enquanto discute com o Brasil, esse impacto fica reduzido”, aposta.

A taxa de importação atual é de 2%. A de 25% iria entrar nesta sexta-feira (23), mas os EUA suspenderam a medida enquanto negociam com o governo brasileiro, que tenta reverter à sobretaxa.  

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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