A Serra passou a ocupar um espaço estratégico nas decisões que vão moldar o futuro do sistema tributário brasileiro. O município foi eleito, na última semana, para integrar o Conselho Superior do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CG-IBS), órgão central da Reforma Tributária, responsável por definir como será feita a arrecadação e a distribuição de recursos no novo sistema de impostos do país.
Na prática, isso significa que a Serra fará parte do grupo que vai decidir como o dinheiro dos impostos circula entre União, estados e municípios, influenciando diretamente investimentos, políticas públicas e a organização fiscal do país nos próximos anos.
O responsável por representar a Serra no Conselho será o secretário municipal da Fazenda, Henrique Valentim. Segundo ele, a presença do município nesse espaço estratégico permite defender os interesses locais dentro de um debate nacional.
“Estar nesse espaço significa defender justiça na distribuição dos recursos e contribuir para um modelo que respeite o federalismo e a autonomia dos municípios”, afirmou o secretário ao Tempo Novo.
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O que é a Reforma Tributária e por que ela importa?
A Reforma Tributária aprovada pelo Congresso Nacional tem como principal objetivo simplificar o sistema de impostos no Brasil, considerado um dos mais complexos do mundo.
Hoje, diferentes tributos incidem sobre o consumo, com regras variadas entre estados e municípios. Com a reforma, esses impostos serão substituídos por um modelo mais simples e unificado.
O principal deles é o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vai substituir tributos como ICMS e ISS, criando um sistema mais transparente, com menos burocracia e regras padronizadas em todo o país.
Para o cidadão comum, a mudança impacta diretamente:
- preços de produtos e serviços;
- funcionamento das empresas;
- arrecadação das cidades;
- capacidade de investimento dos municípios em saúde, educação, infraestrutura e assistência social.
O “coração” da Reforma Tributária
O Conselho Superior do Comitê Gestor do IBS (CG-IBS) é considerado o coração operacional da Reforma Tributária. É esse órgão que vai centralizar a arrecadação do novo imposto; coordenar a distribuição automática dos recursos entre estados e municípios; e garantir equilíbrio federativo, transparência e previsibilidade no repasse do dinheiro público.
Em outras palavras, o conselho define como as novas regras do jogo serão aplicadas na prática, estabelecendo de que forma o imposto deverá ser arrecadado e repartido entre os entes federativos.
Como o conselho é formado
De acordo com o Projeto de Lei Complementar nº 108/2024, o colegiado tem composição paritária:
- 27 representantes dos estados
- 27 representantes dos municípios
No caso das cidades, a escolha é dividida entre duas entidades nacionais:
- 13 representantes indicados pela Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas (FNP)
- 14 representantes indicados pela Confederação Nacional de Municípios (CNM)
Além dos titulares, também são definidos suplentes, garantindo continuidade nas decisões.
Serra entre as cidades mais influentes do país
A Serra integra o grupo das 13 cidades titulares indicadas pela FNP, ao lado de grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. Fato que reforça o protagonismo do município capixaba é que apenas duas cidades desse grupo não são capitais: Serra (ES) e Campinas (SP). A escolha segue critérios técnicos, populacionais e de representatividade, reconhecendo o peso econômico e institucional da Serra no cenário nacional. A Serra é a única cidade do Espírito Santo a participar como titular; Vitória e Vila Velha compõem a lista de municípios suplentes.
O que muda a partir de agora?
Com a eleição ratificada por unanimidade, com 47 votos favoráveis, a Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas vai encaminhar oficialmente as indicações para a formalização do Conselho Superior do CG-IBS. A primeira missão do colegiado será estruturar a transição do modelo atual para o novo sistema de arrecadação, garantindo que a partilha do IBS ocorra de forma:
- automática;
- transparente;
- equilibrada entre estados e municípios.
Mesmo sendo um tema técnico, a Reforma Tributária influencia diretamente a vida das pessoas. A forma como os impostos são arrecadados e distribuídos impacta desde o financiamento de serviços públicos até o crescimento econômico das cidades.
Ao integrar o núcleo de decisões da Reforma Tributária, a Serra passa a ter voz ativa em um dos debates mais importantes do país, reforçando seu papel como município de relevância nacional e ampliando sua capacidade de influenciar decisões que afetam milhões de brasileiros.