
A Serra é a cidade com o maior número de pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo das rodovias do Espírito Santo. Segundo o levantamento mais recente realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), por meio do programa MAPEAR, a situação na região é alarmante e requer atenção.
Apesar de sua extensão territorial relativamente pequena, o Espírito Santo apresenta o maior percentual de pontos críticos no país, com preocupantes 20,2%. Esse valor é três vezes maior do que a média nacional, que atualmente é de 6,5%.
No entanto, é importante ressaltar que houve uma nítida melhora em relação ao biênio anterior, no qual o estado contabilizava 38,6% de pontos críticos, indicando um esforço para enfrentar essa problemática.
No total, foram catalogados 138 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes no Espírito Santo no levantamento atual, o que representa um aumento de 213% em comparação ao estudo de 2019, quando foram identificados 44 pontos.
Além da Serra, outras cidades capixabas também apresentam uma alta concentração de locais vulneráveis, como Guarapari registrando 16 pontos e Cariacica com 14 pontos de vulnerabilidade à exploração sexual.
Entre as rodovias mapeadas no Brasil, a BR-101 se destaca com a maior quantidade de pontos catalogados, totalizando 103 locais visitados.
O que é exploração sexual de crianças e adolescentes?
A exploração sexual de crianças e adolescentes é uma forma cruel de violência sexual que envolve a mercantilização do corpo, em que o contato ou a relação sexual são frutos de trocas, sejam financeiras, de favores ou presentes. Esse ato invasivo afeta de forma severa as dimensões físicas e psicológicas das vítimas, que muitas vezes já tiveram seus direitos negados ou violados anteriormente.
O mapeamento dos pontos vulneráveis realizado pela PRF por meio do programa Mapear traz à luz a gravidade da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, fornecendo dados qualificados que auxiliam no desenvolvimento e monitoramento de políticas públicas e privadas de proteção ao longo das rodovias federais. Essa iniciativa é de extrema importância, uma vez que há uma escassez de informações qualificadas disponíveis sobre o tema.
Sobre o projeto MAPEAR
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentaram, na tarde desta quarta-feira (31), os resultados da nona edição do Projeto Mapear, referentes ao biênio 2021/2022. O evento ocorreu na Sede do MJSP, em Brasília (DF).
O MAPEAR é um projeto da Polícia Rodoviária Federal que tem como objetivo trazer a cada dois anos os dados relativos aos pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes (ESCA) ao longo das rodovias federais do país. Pontos vulneráveis são aqueles que apresentam em suas características fatores que podem aumentar ou diminuir o risco de ocorrência de ESCA.
“Lidar com os pontos a partir dos seus diferentes níveis de vulnerabilidade apresentados pelo projeto permite ao gestor operacional da PRF aplicar a ação adequada de forma assertiva, o que torna o MAPEAR fundamental para o planejamento das ações que visam combater a exploração sexual de crianças e adolescentes. Desta forma, a publicação não apresenta os pontos de efetiva exploração, mas os pontos que reúnem riscos relacionados às vulnerabilidades que orbitam ocorrências desta natureza”, diz a PRF em nota.
No biênio 2021/2022 foram mapeados 9.745 pontos vulneráveis à ESCA nas rodovias federais de todo País, dos quais 640 foram classificados como críticos, o que representa 6,5% do total de pontos catalogados.
Comparado ao biênio anterior, no qual foram mapeados um total de 3.651 pontos, dos quais 470 foram classificados como críticos, houve um aumento de 266,91% no número global, o que possibilitará a ampliação das ações ao longo das rodovias federais, já que mais pontos totais mapeados significam um planejamento de operações mais próximo de cada necessidade local. O documento utiliza quatro classificações – baixo risco, médio risco, alto risco e críticos.
Assim como no biênio anterior, foi constatado que a maior parte dos pontos mapeados se encontram em áreas urbanas, totalizando 58% dos casos. Assim como outros crimes, a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (ESCA) depende de fluxo monetário e de pessoas nos locais, assim como de logística que facilite o acesso das crianças e adolescentes aos locais de exploração.
