
O prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), deve anunciar mudança de comando da Secretaria Municipal de Saúde nos próximos dias. Bernadete Coelho Xavier, secretária desde maio de 2021, será exonerada do cargo e um novo nome deve assumir a maior rede municipal de Saúde do Espírito Santo, que enfrenta complexos desafios.
Vidigal já teria escolhido um aliado de primeira linha para assumir interinamente o cargo. O escolhido, inclusive, já foi secretário de Saúde da Serra em gestão passadas do atual prefeito.
A queda de Bernadete ocorre em meio a um imbróglio que o Município enfrenta na gestão da Saúde municipal. Com a Serra sem nenhum pronto socorro estadual de porta aberta à população (entenda aqui), as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) têm sido alvo de reclamações por conta das superlotações.
Ainda não se sabe as motivações concretas para a saída de Bernadete do comando da Secretaria de Saúde. Aliada de Vidigal, chegou a participar de gestões passadas do prefeito na Serra.
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Nos bastidores, informações indicam que o prefeito decidiu realizar a substituição por conta de insatisfações da gestão da secretária. Nesta segunda-feira (20), Bernadete – que já teria sido informada da decisão – se despediu dos seus colegas secretários em mensagem enviada através de grupo do WhatsApp.
Secretário interino e publicação de exoneração

A exoneração de Bernadete Coelho ainda não foi publicada oficialmente, ou seja, em todas as vias legais, ela continua sendo a secretária de Saúde da Serra. O prefeito Sergio Vidigal também não anunciou o nome que irá assumir a rede municipal de Saúde.
O Jornal Tempo Novo tentou contato com Bernadete, mas a secretária não atendeu as ligações.
Quem deve assumir o cargo de Bernadete interinamente é Iranilson Casado Pontes. Aliado de primeira linha de Vidigal, Casado é reconhecido por ser escolhido, na maioria das vezes, para assumir interinamente secretarias da cidade.
Natural de Vila Velha e formado em Administração de Empresas pela Universidade de Vila Velha (UVV), Iranilson já foi, por exemplo, secretário interino de Educação.
Iranilson também possui ampla experiência na administração pública e já atuou em gestões anteriores de Vidigal, como secretário de Finanças, da Saúde e presidente do Instituto de Previdência dos Servidores (IPS).
2ª troca na Saúde da Serra em menos de dois anos
Em menos de dois anos, a Secretaria de Saúde da Serra já teve duas mudanças em seu comando. A primeira ocorreu em maio de 2021, quando Sheila Cruz – que assumiu a gestão no início do mandato de Vidigal em janeiro de 2021 – foi exonerada por desentendimentos com a 1ª dama, Sueli Vidigal.
Na época, os aliados do prefeito evitaram falar sobre o tema. No entanto, nos bastidores, a saída de Sheila foi dada como resposta aos desacordos da ex-secretária com Sueli Vidigal. Inclusive, essa não foi a única pasta que sofreu mudanças no comando devido a interferências da primeira-dama, o que também teria acontecido na Assistência Social.
Assim que Sheila foi exonerada, Bernadete Coelho assumiu o cargo, no qual ficou por menos de um ano, que completaria daqui a dois meses.
Bernadete é um nome conhecido entre o grupo de Vidigal. Aliada do prefeito, ela já atuou em gestão passada. Até 2020, foi secretária de Saúde do então prefeito de Cariacica, Juninho. Antes de vir para a Serra, atuava na Saúde de Aracruz.
Saúde da Serra enfrenta falta de pronto-socorro e superlotação de UPAs
Não é difícil apontar os desafios que o novo secretário (ou secretária) que assumir a Saúde da Serra terá que enfrentar. A cidade – que não possui nenhum pronto-socorro estadual de portas abertas à população – administra três UPAs e quase 40 unidades básicas e regionais (os conhecidos postos de saúde e policlínicas).
Também conta com um centro de especialidades médicas, o AMES, e a maior maternidade do Estado, o Hospital Materno Infantil, sem citar outras unidades de atendimento espalhadas pela cidade.
Além disso, a Serra – mesmo sendo a maior cidade do Espírito Santo em números de população – não possui nenhum pronto-socorro hospitalar de portas abertas aos moradores. Isso ocorre mesmo com a cidade possuindo dois hospitais estaduais, o Hospital Dório Silva e o Jayme dos Santos Neves (entenda melhor o assunto clicando aqui).
Por conta disso, toda a demanda de atendimento de urgência e emergência tem recaído sob as UPAs que registram cada vez mais superlotação. Além de atender a população da Serra, as unidades atendem milhares de moradores de outras cidades.
Se não bastasse todos esses problemas, a Serra também enfrenta uma epidemia de dengue, com mais de quatro mil moradores infectados, um aumento de 200% em comparação ao mesmo período de 2022.
Aliado a isso, um grave aumento de casos de gastroenterite durante o período que a água distribuída pela Cesan chega nas residências dos moradores da Serra barrenta e imprópria para o consumo.
Também vale ressaltar que a Serra enfrenta um problema crônico de falta de médicos para atendimento nas unidades de saúde e UPAs. A gestão de Vidigal afirma que, mesmo oferecendo um dos melhores salários da Grande Vitória, e realizando diversos processos seletivos, o Município não consegue contratar o número suficiente de profissionais, por “falta de interesse” da categoria.