Quem foi Eldes Scherrer Souza que leva o nome de uma das principais avenidas na Serra?

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Avenida Eldes deve receber o projeto. foto: divulgação.
Avenida Eldes deve receber o projeto. foto: divulgação.

Desde a instalação do Porto de Tubarão, na divisa entre Serra e Vitória, em 1964, a dinâmica de ocupação urbana do município se alterou radicalmente. Anos depois, por diversos fatores, a centralidade urbana do bairro Parque Residencial Laranjeiras foi consolidada, fazendo da Avenida Eldes Scherrer Souza uma das vias mais importantes do município, especialmente por conectar a BR-101, o Civit II e a região litorânea.

Mas afinal, quem foi a pessoa que deu nome à avenida? Antes de responder a essa pergunta, é importante mencionar que a via surgiu junto com Laranjeiras e, inicialmente, chamava-se Avenida Civit, devido à sua proposta original de ligar o polo industrial do Civit II à BR-101, já no contexto do acelerado processo de industrialização da Serra. Laranjeiras foi um bairro entregue em 1978, e a avenida era de pista simples. Sua duplicação ocorreu somente na segunda gestão do ex-prefeito João Batista da Motta, entre 1993 e 1996.

A mudança do nome de Avenida Civit para Eldes Scherrer Souza aconteceu durante a gestão do ex-prefeito José Maria Miguel Feu Rosa, entre 1989 e 1990 (ano em que o ex-prefeito foi assassinado). A proposta veio da Câmara da Serra, a partir de um projeto de autoria do então vereador João Luiz Castello.

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Quem foi Eldes Scherrer Souza

Para organizar e administrar o Civit I e o Civit II, o Governo do Estado criou a Superintendência dos Projetos de Polarização Industrial (Suppin), uma autarquia que funciona até os dias de hoje e foi inaugurada em 1971. Entre seus quadros técnicos estava o arquiteto Eldes Scherrer Souza, uma das mentes por trás do desenho urbano do Civit II, que, nos anos seguintes, se tornaria o maior polo industrial da Serra.

Seu trabalho o levou à superintendência geral da Suppin no início dos anos 1980, período em que o Civit II começou a ser implementado, impulsionado pela implantação da antiga CST, hoje ArcelorMittal. Contudo, nesse período, a autarquia estadual enfrentou fortes turbulências, tanto internas quanto externas, já que o Brasil estava mergulhado em uma enorme crise inflacionária, que atingiu duramente o setor industrial.

Havia suspeitas de irregularidades, especialmente levantadas por deputados da Assembleia Legislativa. Em 1987, o assunto ganhou destaque a partir de denúncias do então parlamentar Perly Cipriano, do PT, que havia assumido o mandato temporariamente devido ao afastamento do titular, Cláudio Vereza.

O caso ganhou notoriedade na imprensa, e inquéritos foram abertos para investigar as suspeitas de irregularidades, que envolviam dezenas de servidores da Suppin, incluindo o então superintendente Eldes Scherrer Souza. Na época, ele era visto como um quadro técnico respeitado, mas acabou sendo afastado do cargo.

Envergonhado e constrangido com o envolvimento de seu nome nas suspeitas de irregularidades, Eldes Scherrer Souza cometeu suicídio em 1988, disparando um tiro na cabeça com um revólver calibre 38. O caso chocou o meio político do Espírito Santo. Com sua morte, as investigações foram paralisadas, e toda a Suppin passou por uma remodelação administrativa.

Em 1989, o então prefeito José Maria Feu Rosa assinou a Lei 1.345/89, de 24 de agosto, que renomeou a Avenida Civit para Avenida Eldes Scherrer Souza, em homenagem ao ex-superintendente da Suppin. Na época, a mudança passou despercebida, mas posteriormente gerou algumas confusões. Inclusive, em 2010, um projeto de lei foi protocolado na Câmara da Serra pedindo o retorno do nome “Avenida Civit”. O vereador proponente, Cei de Tropical, argumentava que “poucas pessoas talvez saibam da existência da Lei 1.345/89, que denominou Eldes Scherrer Souza à Avenida Civit” e que tal situação estaria dificultando o recebimento de encomendas. No entanto, o projeto não avançou.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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