A notícia que veio a público nesta segunda-feira (9/2), sobre a prisão realizada pela Polícia Civil de São Paulo de um piloto de avião suspeito de manter, por cerca de oito anos, uma rede de abuso sexual de menores, provoca indignação, tristeza e um profundo alerta à sociedade. O caso chama atenção não apenas pela gravidade dos crimes, mas pelo fato de envolver adultos que, em tese, deveriam proteger crianças e adolescentes.
Não se trata de um episódio isolado, mas de um sinal alarmante de que meninos e meninas ainda estão expostos a riscos que, muitas vezes, se escondem em ambientes considerados “seguros”. Quando a rede de proteção falha, os danos vão muito além da violência física: atingem o emocional e o psicológico das vítimas, deixando marcas profundas que podem acompanhá-las por toda a vida.
Do ponto de vista psicológico, a infância é a fase em que se constrói a base da confiança, da segurança e da noção de cuidado. Quando uma criança é traída por adultos — especialmente familiares ou pessoas próximas — ocorre uma quebra profunda desse vínculo de proteção. O resultado pode ser ansiedade, medo constante, dificuldades de relacionamento, depressão e sofrimento emocional que, muitas vezes, só aparece anos depois. Proteger uma criança é também proteger sua saúde mental futura.
É fundamental que a sociedade como um todo assuma sua responsabilidade. Cuidar das crianças não é tarefa exclusiva dos pais, mas de escolas, comunidades, instituições e do Estado. Precisamos falar mais sobre prevenção, escuta ativa, sinais de abuso e, principalmente, acreditar na palavra da criança. O silêncio e a omissão são aliados da violência. Quanto mais informados estivermos, maiores são as chances de interromper ciclos de abuso.
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Que essa notícia não seja apenas mais um choque momentâneo, mas um chamado à ação. Precisamos fortalecer redes de proteção, investir em educação emocional e criar espaços seguros onde crianças possam ser ouvidas sem medo. Cuidar das nossas crianças é um dever coletivo e inegociável, pois delas depende não apenas o futuro, mas a saúde emocional da sociedade que estamos construindo hoje.
Por Helen Cristina Oliveira Santos – Psicologia analítica e estudante de neuropsicologia