O professor de 45 anos preso por crimes sexuais contra crianças e adolescentes abusou de ao menos oito alunos em escolas municipais da Serra e de Vila Velha. Segundo a Polícia Civil, o suspeito utilizava a condição de professor da rede pública para aliciar, assediar e abusar sexualmente de meninos com idades entre 10 e 16 anos.
As investigações apontam que ele se aproveitava da posição profissional para assediar, coagir e abusar psicologicamente e fisicamente das vítimas, utilizando redes sociais, ameaças e promessas de vantagens escolares e financeiras.
De acordo com a Polícia Civil, os crimes ocorreram entre 2023 e 2025 e envolvem, até o momento, oito vítimas identificadas: seis em Vila Velha e duas na Serra, com idades entre 12 e 16 anos. As informações foram apuradas pelo Portal Tempo Novo.
Os nomes do professor, das vítimas, dos bairros e das escolas não serão divulgados, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Primeira denúncia ocorreu em escola municipal da Serra
A primeira denúncia foi registrada na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em 19 de novembro de 2024, após uma mãe ser alertada pela escola onde o filho estudava, na Serra. O adolescente havia relatado a uma colega que mantinha conversas de cunho sexual com um professor.
O caso ganhou consistência após a mãe da colega confrontar o adolescente e verificar o conteúdo do celular, constatando a existência de mensagens e imagens incompatíveis com a relação professor-aluno. A escola comunicou oficialmente a situação, e a família procurou a Polícia Civil.
Durante atendimento psicossocial, a vítima relatou que o professor pediu para segui-lo no Instagram, ativando o modo de mensagens temporárias. Em seguida, passou a insistir em convites para sair, como ir à praia, ao cinema ou à casa dele. Diante da resistência do adolescente, o suspeito teria enviado imagens de mulheres nuas e vídeos de relações sexuais, afirmando que poderia “arranjar mulheres” para ele.
Segundo a investigação, o professor também era cantor e integrante de uma banda, utilizando a suposta proximidade com dançarinas para atrair adolescentes que se declaravam heterossexuais.
Diante dos indícios, a Polícia Civil representou por mandados de busca e apreensão no fim de novembro de 2024. Durante as diligências, novas denúncias surgiram em Vila Velha, ampliando o alcance da investigação.
Professor mantinha fotos íntimas de alunos

No cumprimento dos mandados, policiais apreenderam celulares, computadores, HDs externos, pendrives e outros dispositivos eletrônicos. Um laudo pericial preliminar apontou que o professor mantinha pastas organizadas por escolas onde lecionava, contendo fotos das vítimas com uniforme escolar e imagens dos órgãos genitais dos alunos.
Mensagens analisadas pela polícia indicam que o suspeito prometia ajuda em provas escolares. Em um dos diálogos, ele orientava o aluno a “apenas escrever o nome”, afirmando que completaria a avaliação em troca do envio de imagens íntimas.
Denúncias em escolas municipais de Vila Velha
Em Vila Velha, a direção de uma escola municipal notificou os pais após tomar conhecimento de conversas indevidas entre o professor e alunos. As investigações identificaram seis vítimas, com idades entre 13 e 16 anos.
Segundo a Polícia Civil, em 2023 o suspeito abordava pessoalmente alunos que apresentavam dificuldades para alcançar a nota mínima, oferecendo aprovação em troca de fotos íntimas. Já em 2024, após deixar a rede municipal, as abordagens passaram a ocorrer exclusivamente por meio das redes sociais.
Nesse período, ele também passou a oferecer dinheiro, realizando transferências via Pix com valores entre R$ 30 e R$ 50, além de prometer objetos desejados pelos adolescentes, como uma prancha de surfe.
Durante as buscas, foi encontrado grande volume de material de pornografia infantil, com cenas explícitas envolvendo crianças e adolescentes.
Nova denúncia na Serra agravou situação do suspeito
Em fevereiro de 2025, uma nova denúncia envolvendo um adolescente de 12 anos, na Serra, agravou a situação jurídica do suspeito. Segundo o relato, o professor ameaçava o aluno após flagrá-lo com celular na escola, exigindo que ele acessasse sites pornográficos – inclusive com conteúdo de pedofilia – sob a alegação de que teria “controle” para saber se o adolescente cumpria a ordem.
O menino também relatou que foi seguido até o banheiro da escola, onde o professor teria tocado suas coxas e nádegas, afirmando que ele não poderia contar a ninguém, pois sabia onde a família morava.
A vítima revelou os abusos após mudanças comportamentais chamarem a atenção da mãe, como medo do escuro, regressão no comportamento e desejo de dormir novamente com ela. Ao verificar o celular do filho, a responsável encontrou o histórico de acesso aos sites, o que motivou a denúncia.
O suspeito chegou a ser preso anteriormente, mas foi solto após audiência de custódia, com aplicação de medidas cautelares. Com o avanço das investigações e a nova denúncia por estupro de vulnerável, a Polícia Civil voltou a representar pela prisão preventiva.
Prisão do professor na Serra
A localização do professor contou com apoio da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, por meio da Subsecretaria de Inteligência. Após monitoramento, inclusive com uso de recursos aéreos, o homem foi preso em uma residência no município da Serra, na quinta-feira, dia 8.
A reportagem entrou em contato com as prefeituras da Serra e de Vila Velha para posicionamento. Assim que houver resposta, o texto será atualizado.