Perdas milionárias com paralisação da Samarco seguem no município

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Lama da Samarco matou 19 pessoas e devastou Rio Doce em 2015. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil).
Comunidade de Bento Rodrigues, em Mariana (MG): lama não afetou apenas a região da barragem, mas todo rio Doce e também atingiu em cheio a economia capixaba, sendo a Serra uma das cidades mais penalizadas. FOTO: Antônio Cruz Agência Brasil.

Clarice Poltronieri

A paralisação da Samarco, em Anchieta e no Estado, por conta do crime/tragédia ambiental ocorrido em Mariana, Minas Gerais, já causou um prejuízo de mais de R$10 milhões aos cofres públicos da Serra só com a perda de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). No Imposto Sobre Serviços (ISS) já são R$ 3.5 milhões a menos. Já entre as empresas, a queda de movimentação pode ficar na casa de R$ 600 milhões.

Isso se for considerado apenas a arrecadação de impostos das empresas terceirizadas que prestavam serviços à mineradora. De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Meneguelli, o município está mantendo as contas em equilíbrio para passar esse momento de crise.

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“O impacto pode ser medido por meio das empresas da Serra que prestavam serviços à Samarco, cerca de 175. Até este ano a Serra teve uma redução no recolhimento de Imposto Sobre Serviços (ISS) em torno de R$3,5 mi, sendo R$2,250mi entre 2015, pós-tragédia, e 2016  cerca de R$1,5 mi até o final deste ano por conta da redução das atividades da empresas que prestavam serviço à mineradora. Algumas empresas continuam prestando serviço de manutenção, mas a redução foi significativa”, explica.

Meneguelli também aponta que houve uma quebra na projeção da cota parte que o município recebe de ICMS, já que a arrecadação do Estado também caiu.

“Com relação ao volume total do ICMS, entendemos que houve uma redução de R$10mi anuais na projeção do repasse para o município. Mas estamos mantendo as contas em equilíbrio para passar essa situação de crise econômica”, afirma.

Em todo o estado, segundo estimativas da Secretaria de Estado da Fazenda, desde a paralisação das atividades da Samarco, em dezembro de 2015 até agosto de 2017, houve uma queda na arrecadação de aproximadamente R$ 290 milhões em tributos diretos e indiretos.

Metalmecânica e manutenção foram os mais atingidos

Além do prejuízo para os cofres públicos, a paralisação da empresa pode ter sido responsável por deixar de circular R$600 milhões só na Serra. Isso porque, segundo projeções feitas pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) à época da paralisação das atividades da Samarco em Anchieta, era de que anualmente deixasse de circular R$300 milhões em negócios na Serra.

O prejuízo seria em indústrias que forneciam diretamente à mineradora serviços nas áreas de metalmecânica, manutenção mecânica, construção civil e manutenção predial, que teria reduzido em 80%. O restante são prejuízos de empresas nas áreas de alimentação, uniformes, logística, material de construção, entre outros.

A redação procurou a assessoria da Findes para atualizar esses dados e a mesma informou que estes seriam os mesmos anteriormente divulgados.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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