Paralisação de coletores chega ao 2º dia e bairros da Serra ficam repletos de lixo

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O movimento começou na manhã da segunda-feira (21). Foto: Divulgação

A paralisação dos coletores de lixo chega ao seu segundo dia e as consequências começam a ser observadas nas ruas dos bairros da Serra e também de outras cidades da Grande Vitória. A coleta está suspensa desde segunda-feira (21) por conta de paralisação de trabalhadores da limpeza urbana.

De acordo com informações na segunda (21), nenhum caminhão coletor saiu da sede da empresa Corpus Saneamento e Obras que fica em Vila Nova de Colares, na Serra. Não houve coleta de lixo doméstico em nenhum bairro do município.

Somente o veículo que faz coleta hospitalar está sendo liberado para sair da garagem da Corpus.

A paralisação deve continuar nesta terça (22). Segundo apuração do Tempo Novo, a exemplo da segunda-feira, nenhum caminhão de coleta de lixo doméstico saiu da empresa nesta manhã.

A Corpus Saneamento e Obras disse que o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana do Espírito Santo (Selures) informou que foi surpreendido pelo movimento paredista ilegal realizado nesta segunda-feira (21) e esclarece à população capixaba que, no último mês de janeiro, fechou Acordo em Convenção Coletiva de Trabalho, estando a mesma registrada no Ministério Público do Trabalho, em que os trabalhadores representados pelo Sindilimpe aceitaram reajuste de 10,16%.

Entre as cláusulas aceitas está o fornecimento de lanche por meio das empresas, composto de um pão com manteiga, uma fruta e um suco. Sendo somente na impossibilidade do fornecimento do mesmo, e de escolha das empresas de limpeza urbana, a substituição por um valor correspondente em dinheiro.

As empresas representadas por esse Sindicato acreditam que a saúde dos trabalhadores é uma prioridade, não podendo o mesmo ficar sem o lanche antes do turno de trabalho, pelo esforço da função. O fornecimento do lanche era, inclusive, um pleito dos próprios profissionais há anos.

O Selures repudia o uso, pelo sindicato trabalhista, de subterfúgios ilegítimos e que desconsideram o bem-estar de sua própria categoria. Registra, ainda, que está tomando todas as medidas necessárias para fazer cessar esse ato de descumprimento da CCT e da lei.

A Prefeitura da Serra esclareceu em nota publicado em seu site que em virtude de um movimento de reivindicações trabalhistas do Sindilimp-ES, iniciado na manhã da segunda-feira (21), o cronograma semanal de serviços sofrerá alguns impactos.

“O cronograma divulgado nesse domingo (20) traz serviços que devem ser realizados entre os dias 21 e 25 de fevereiro em vários bairros do município da Serra. Entre os serviços que podem ser prejudicados pela paralisação, estão a coleta de lixo doméstico, capina, varrição, entre outros”.

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A Secretaria de Serviços destacou que as empresas contratadas para a realização dos serviços confirmam que os trabalhadores reivindicam benefícios e que medidas jurídicas para o restabelecimento total dos serviços de limpeza pública estão em andamento.

O (Selures) informou ainda na manhã desta terça (22) que as empresas prestadoras de serviços nos locais paralisados pelo Sindilimpe são: Corpus, Emec e Agrovix, no município de Serra; Corpus e CTRCI, em Cachoeiro de Itapemirim; e Vital e Emec, na capital do Estado.

O Selures aproveita o ensejo para questionar o porquê de o Sindilimpe colocar em pauta novas propostas, depois de ter havido, em janeiro último, negociação e aprovação, por parte da categoria, da proposta patronal.

É surpreendente também o fato de o movimento paredista ser isolado, acontecendo somente em três municípios representados pelo sindicato dos trabalhadores.

O Selures reitera à população o compromisso com a limpeza urbana e afirma que todos os itens acordados em Convenção Coletiva do Trabalho (CCT) estão sendo devidamente cumpridos pelas empresas do setor.

O Sindilimp-ES disse que não há previsão de a paralisação chegar ao fim, pois o sindicato ainda não obteve resposta das empresas.

De acordo com apurações do Tempo Novo, atualmente, conforme foi acordado com a categoria e homologado na Justiça em 2022, trabalhadores que vão até a base das empresas recebem o café da manhã. Já os trabalhadores que não vão até a base e se deslocam de casa diretamente para o local de trabalho ficam impossibilitados de receber o café da manhã e, por isso, recebem o tíquete no valor de R$ 7 para que possam pagar pelo desjejum e, assim, evitar contratempos, como sensação de fraqueza e mal-estar, durante a rotina de trabalho.

A reivindicação do Sindilimp-ES é de que todos os trabalhadores passem a receber o tíquete.

Confira abaixo as reivindicações dos trabalhadores:

  • Café da manhã no valor de R$ 7 p\dia no ticket
    (O sindicato está de olho nas empresas que ainda não aderiram!);
  • – Pagamento do ticket-alimentação em caso de afastamento pelo INSS;
  • – Plano de saúde integral com cirurgia e internação;
  • – Ticket para funcionários do administrativo da empresa EMEC no valor pago a profissionais da Limpeza Pública
  • – Adicional de Periculosidade para jardineiros e operadores de roçadeira, além de profissionais que atuam na capina e poda de árvores.
  • – Ticket para funcionários do administrativo da empresa EMEC no valor pago a profissionais da Limpeza Pública;
  • – Adicional de Periculosidade para jardineiros e operadores de roçadeira, além de profissionais que atuam na capina e poda de árvores.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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