
Um dos acordeonistas mais importantes de sua geração, Marcelo Caldi é o convidado do próximo concerto da Orquestra Jovem Vale Música, dia 22 de junho, às 20h, no Teatro Universitário, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória. Com regência do maestro Lucas Anizio, o programa vai revisitar a obra do inesquecível sanfoneiro e compositor Dominguinhos (1941-2013), em arranjos sinfônicos preparados especialmente para o espetáculo.
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Segundo o maestro Lucas Anizio, a homenagem a Dominguinhos nasceu da ideia de valorizar a cultura brasileira e expandir o conhecimento dos alunos e do público que acompanha o Projeto Vale Música Espírito Santo. “Este ano se completa 10 anos da morte de Dominguinhos e essa foi a forma que encontramos de homenagear este grande artista e trabalhar os ritmos brasileiros presentes em sua obra”, explica o maestro.
Com arranjos e interpretações de Marcelo Caldi, o repertório reunirá sucessos de Dominguinhos, como “Eu só quero um xodó”, “Lamento sertanejo” e “De volta pro meu aconchego”, entre outras preciosidades da obra do compositor, que se notabilizou como herdeiro de Luiz Gonzaga e modernizador da sanfona dentro da linha evolutiva da MPB.
“Foi bem difícil escolher entre tantas obras incríveis desse compositor. Sua musicalidade se destaca através de suas lindas melodias e letras inesquecíveis, acompanhadas do seu acordeon. Tudo foi pensado com muito carinho e esperamos que o público aprecie este momento”, afirma o maestro.
Orquestra Sanfônica
Pianista, compositor, arranjador sinfônico, produtor, cantor, maestro e diretor musical, Marcelo Caldi apresentou-se como solista de acordeon em concertos com as orquestras Petrobras Sinfônica, Sinfônica da Bahia, Sinfônica Cesgranrio, Sinfônica da UFF e Sinfônica do Recife, e já levou seu trabalho para Portugal, França, Itália, Alemanha e Japão. Entre outras atividades, é fundador e maestro da Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro.
Para o músico, a expectativa do concerto com a Orquestra Jovem Vale Música é a melhor possível. “Tenho muito carinho pelas orquestras jovens, pelas orquestras de projetos sociais e profissionais. Eu me dedico porque sei que esses projetos têm um valor incrível, uma importância grande tanto como edição musical quanto como inclusão social. Tenho a alegria de poder fornecer meus arranjos, minhas contribuições musicais, a minha visão da música. Há mais de 10 anos atuo em orquestras pelo Brasil afora e será a minha primeira vez em Vitória”, revela Marcelo Caldi.
Possibilidades ilimitadas
Assim como Dominguinhos, Sivuca e outros sanfoneiros consagrados, Marcelo Caldi corrobora com a ideia de que a sanfona é um instrumento de possibilidades ilimitadas. “A sanfona tem possibilidades harmônicas imensas. Ela faz melodias, acompanhamentos, e faz um ritmo harmônico muito específico. É muito interessante essa conjugação entre a mão esquerda e a direita e o fole auxiliando a expressividade do instrumento”, ensina o músico, comparando a sanfona com o piano. “Diferentemente do piano, ela tem o fole que dá expressividade a cada nota. Você tem a possibilidade de fazer uma vibratória, de fazer uma nota que cresce e decresce. A sanfona nasceu para substituir os órgãos de igreja, é um órgão portátil e que pode fazer contrapontos. Tem todas as possibilidades para representar uma orquestra, por isso nada melhor do que uma sanfona sinfônica”, completa.
Orquestra Jovem Vale Música convida Marcelo Caldi – Homenagem a Dominguinhos
Regência: Lucas Anizio
Data: 22 de junho (quinta-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Universitário – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Av. Fernando Ferrari, 514 – Goiabeiras, Vitória (ES), CEP 29.075-910
Entrada franca
Retirada de ingressos na bilheteria do teatro, uma hora antes do início do espetáculo
SAIBA MAIS SOBRE MARCELO CALDI:

Marcelo Caldi é um dos músicos mais completos da atualidade. Pianista, compositor, arranjador sinfônico, produtor, cantor, maestro e diretor musical, ele tornou-se amplamente reconhecido como um dos sanfoneiros mais importantes de sua geração, levando adiante o precioso legado de mestres como Luiz Gonzaga, Orlando Silveira, Chiquinho do Acordeom, Sivuca, Dominguinhos e Oswaldinho, entre outros.
Como cantor, atuou em alguns dos mais importantes grupos vocais da história recente da MPB, o Garganta Profunda e o BR-6, com o qual excursionou diversas vezes para vários países da Europa e o Japão. Foi arranjador vocal desses grupos também. E lançou em 2009 o álbum “Cantado”, somente com canções de sua autoria, em parceria com nomes importantes da cena musical, como João Cavalcanti e Sérgio Ricardo. Atualmente, é também cantor da Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro.
Compôs “Alma carioca”, uma peça sinfônica inédita para a Orquestra Petrobras Sinfônica, em homenagem aos 450 anos do Rio de Janeiro (2015), e “Homenagem a Sivuca”, para a Orquestra Sinfônica Cesgranrio (2017).
Caldi ganhou o prêmio da Lei Aldir Blanc para o lançamento do livro “Vem tocar sanfona”, que reúne 20 partituras inéditas de sua autoria de diversos estilos, escritas exclusivamente para acordeon.
Entre os seus álbuns autorais, destaca-se “A sanfona é meu dom” (2017), que inclui participações de Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, Silvério Pontes, Bebê Kramer e Kiko Horta.
Ganhou o Prêmio Funarte Centenário de Luiz Gonzaga, resultando no lançamento do livro e do disco “Tem sanfona no choro” (2012), editado pelo Instituto Moreira Salles, com a publicação inédita das peças instrumentais do Rei do Baião.