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sexta-feira, 05 de junho de 2020

Óleo já prejudica economia da Serra e de outras cidades do ES

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Pescadores de Jacaraípe estão entre os afetados pelo óleo. Segundo presidente da Federação de pesca, Manuel Bueno, profissionais capixabas ainda não foram incluídos no defeso extra prometido pela União. Foto: Fábio Barcelos

Até o final da tarde de ontem (31), o óleo que atinge o litoral do Nordeste não havia alcançado a costa do Espírito Santo, mas já atingiu em cheio pescadores capixabas e toda a rede de restaurantes, peixarias e atividades associadas à pesca no estado. É que a partir desta sexta-feira (1º), está proibida por risco de contaminação química a pesca de camarão e lagosta na região de Abrolhos, que fica na divisa entre ES e Bahia.

O local é o principal pesqueiro dos profissionais tanto da Serra quanto de outras cidades do ES que trabalham com esse tipo de pescado. A proibição, em caráter excepcional, foi determinada pelo Governo Federal e segue até o próximo dia 31 de dezembro. Enquanto isso, aumentam as preocupações da chegada do óleo ao estado, inclusive na Serra, cujos servidores foram na última quinta-feira (31) para Linhares participar de treinamento para limpeza das praias.

Para o presidente da Federação das Associações de Pescadores do Estado do Espírito Santo, Manuel Bueno, o Nego da Pesca, a situação é grave. “O prejuízo será enorme. Vai afetar restaurantes, peixarias, supermercados, todo mundo que trabalha com pescado ou presta serviço para a gente que atua nessa área. No Espírito Santo, existem 10 mil pescadores que atuam no mar; só na Serra, são cerca de 600”, pontua Nego.

Já existe a proibição ordinária da pesca dos crustáceos na época do defeso. Em parte do litoral baiano e na divisa com o ES, ela ocorre de 1º de abril a 15 de maio e de 15 de setembro a 15 de outubro. Na prática, a medida do Governo Federal por causa do óleo amplia esse defeso em mais dois meses e num período do ano em que normalmente não ocorreria. Não só a pesca fica proibida, como também a venda, o armazenamento do pescado, incluindo em restaurantes.

Nos períodos de defeso, pescadores recebem auxílio de R$ 988 do Governo Federal, que já anunciou parcela extra aos profissionais nordestinos afetados pelo óleo no mar. Mas, segundo Nego da Pesca, para os capixabas até agora nada, o que piora o impacto social. “A maior preocupação é que atinja os corais e manguezais do norte do estado, que já foram afetados pela lama da Samarco. Será a morte deles se isto acontecer. Temos companheiros que saíram para pescar no entorno de Abrolhos, e eles estão incomunicáveis no momento; mas iremos saber, em breve, como está a situação por lá”, frisou Bueno.

Manchas avançam em direção ao Espírito Santo

Nesta quinta-feira (31), manchas de óleo apareceram nas regiões de Porto Seguro, Arraial d’Ajuda e Trancoso. Essa é a contaminação mais ao sul já encontrada desde a detecção do desastre, há dois meses, e confirma o temor que a contaminação possa fluir em direção à costa capixaba.

Até a última quarta-feira (30), segundo informações do Ibama, 283 praias de 98 municípios e nove estados no Nordeste já haviam recebido a contaminação.

O Espírito Santo montou um comitê de emergência, com participação de órgãos estaduais, federais e municipais – incluindo a Serra – para monitorar o desastre/crime ambiental e tentar minimizar os efeitos. Rio de Janeiro e até São Paulo também já se movimentam para uma eventual contaminação.

Até o momento, não se sabe a origem do vazamento. Já chegou ser aventada pelo Governo Federal uma hipótese de ser petróleo cru vendido para embarcações clandestinas. Tambores da multinacional anglo-holandesa Shell foram encontrados em praias atingidas, mas a empresa nega envolvimento e diz que os invólucros haviam sido vendidos para outras empresas bem antes do desastre.

Nesta semana, após análises de satélite, pesquisadores de duas universidades federais do Brasil identificaram mancha de mais de 50 km de comprimento e 6 km de largura no sul da Bahia, sugerindo um padrão de vazamento no fundo do mar, que poderia ser um poço, inclusive do pré-sal. Mas nenhuma hipótese havia sido confirmada pelas autoridades até o início da noite de ontem (31).

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