“O povo não merece ser refém da rivalidade Audifax e Vidigal”

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Max Mauro Filho criticou a condução da BR 101: “Pagamos caro o pedágio sem a rodovia estar duplicada. Foto: Bruno Lyra

Bruno Lyra / Conceição Nascimento 

O deputado federal Max Filho já foi prefeito e vereador em Vila Velha, deputado estadual e agora é uma das estrelas do PSDB capixaba. Nesta entrevista, Max fala da aposta tucana na pré-candidatura de Vadinho Leite à prefeitura da Serra; da polarização Audifax x Vidigal; da relação com o governador Paulo Hartung (PMDB) e da possibilidade de voltar a disputar a chefia do executivo canela – verde.

O ES gera mais riqueza para a União do que recebe de volta.  O senhor vê alguma chance do Estado ter mais musculatura política na federação?

Dilma não gosta do ES. É uma figura, que para os capixabas é associada à tragédia. Ela veio aqui nas enchentes de 2013 e agora no desastre da lama. Não é só a ausência dos investimentos federais, está aí a BR 262, onde não houve interessados porque não há confiança no governo. Os investimentos no porto de Vitória se arrastando, o aeroporto, um dos grandes símbolos dessa ineficiência do governo; a BR 101, que hoje pagamos pedágio caro para circular numa rodovia que não está duplicada, por atraso na concessão.

Estamos num contexto de desinvestimentos da Petrobrás no ES, inclusive a saída do centro de distribuição do TIMS na Serra.  Como as lideranças políticas podem ajudar a reverter isso?

Denunciando. Nisso a oposição tem um papel importante. Essa desmobilização no TIMS tem a ver com o porto de Vila Velha, cujo suporte a plataformas de petróleo está sendo transferida para o Rio de Janeiro para atender o empresário Eike Batista. O ES foi um dos grandes prejudicados pelos governos Lula/Dilma.

Há mais de 100 barragens semelhantes às da Samarco (Vale + BHP) nas cabeceiras do rio Doce. O ES não deveria ter participação no licenciamento/fiscalização delas?

O governo do ES não tem jurisdição sobre o território de MG. É o governo federal que deve exercer na sua plenitude o poder de fiscalizar. Mas quando ele interfere na gestão de empresas como a Vale, onde Lula demitiu Roger Agnelli e nomeou Murilo Ferreira, cria uma situação de conluio e gera o descuido.

 O senhor acha que a Samarco deve voltar a operar?

Depois da tragédia ambiental seguiu-se a tragédia social e econômica com a paralisação da empresa. O município de Anchieta, por exemplo, tem sentido violentamente.  É preciso aprender com os erros e se as atividades forem retomadas, tem que se dar com toda segurança.

Em 1990 o então governador Max Mauro, seu pai, embargou as atividades em Tubarão. 26 anos depois, foi a vez da justiça federal. Qual a avaliação do senhor sobre a postura do governo sobre o caso?  

É preciso que os órgãos ambientais estabeleçam medidas mais duras e controles mais rígidos. Do governo de meu pai para cá, as empresas Vale e Arcelor Mittal tiveram incremento na produção.  Hoje tem tecnologia que pode controlar o nível de poluição. Temos que dar passos largos nessa direção, pois a população tem sofrido muito com o pó preto.

Vitória é realmente o local adequado para receber um aeroporto adequado para sanar esse gargalo logístico do estado?

Esse é um erro que já está cometido. A imprensa nacional, através do jornalista Elio Gaspari, noticiou que na nova pista os aviões correm risco com o Mestre Álvaro. Me recuso a acreditar que essa obra não tenha os requisitos técnicos e operacionais adequados. E não gostaria que este questionamento seja a nova desculpa para procrastinar uma obra atrasada em mais de 10 anos.

O senhor é pré-candidato à prefeitura de Vila Velha?

É uma decisão que ainda não está tomada. Estou esperando Brasília decidir se o impeachment sai ou não sai; ou se avança a cassação da chapa Dilma/Temer.  Não seria prudente me antecipar aos fatos políticos agora. Exerço mandato de deputado federal, tenho responsabilidade com quem votou em mim.

O PSDB coloca seu nome como pré-candidato. Caso o senhor não venha, o partido pode ter outro nome?

Há um diálogo aberto com o deputado estadual Hércules da Silveira (PMDB) com a possibilidade de sua vinda para o PSDB. Diante disso, vamos definir juntos o melhor nome.

Qual sua avaliação sobre a gestão do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM)?

Ele é um corpo estranho a Vila Velha e o município não digeriu bem sua presença.  O padrinho político, Paulo Hartung, tem feito esforço hercúleo por seu pupilo. Mas acho que Rodney não consegue recuperar até as eleições de outubro. Uma administração que deixou muito a desejar.

Os Max já estiveram em campo oposto ao de Hartung. Hoje a relação está mais afinada com o governador. Como isso foi construído? 

A figura de Cesar Colnago (PSDB, vice – governador) inaugurou uma nova fase.  Já fui adversário do Paulo e meu pai já disputou eleição contra ele. Mas já havia sido aliado dele em outras ocasiões também.  Hoje nossa relação é mais próxima.

Os Max também já caminharam com Sérgio Vidigal (PDT)… 

Sempre tivemos uma relação respeitosa com Vidigal. Estivemos juntos por algum tempo, mas depois de 2009 não interessou mais ao PDT a minha permanência no partido, que tinha dois deputados federais, Manato e Sueli, e minha presença poderia ser ameaça a essas duas cadeiras. Então fui gentilmente convidado a me retirar pelo então ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

O que o senhor acha que dá para o PDSB conseguir na Serra nas eleições de outubro?

Temos o pré-candidato Vandinho Leite, que teve mais voto do que a maior parte dos eleitos da bancada federal. Vandinho só não será candidato se não quiser. O PSDB está muito animado e acho que nosso pré-candidato é o favorito na Serra.

A polarização Audifax e Vidigal cria dificuldade para uma terceira via?

São duas lideranças expressivas pelas quais tenho respeito, até amizade.  Mas chega um momento que o acirramento da relação entre os dois gera feridos pelo caminho. O povo da Serra não merece ser refém da rivalidade Audifax x Vidigal. A pré- candidatura de Vandinho não é contra nenhuma dessas figuras, mas tem tudo para canalizar as insatisfações e oferecer um novo caminho.

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