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quarta-feira, 05 de agosto de 2020

Nova invasão surge entre Continental e Bicanga

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Participantes da ação em área às margens da avenida que vai para a praia de Bicanga. Foto: Bruno Lyra
Participantes da ação em área às margens da avenida que vai para a praia de Bicanga. Foto: Bruno Lyra

Bruno Lyra

Se nos tempos de acelerado crescimento econômico invasões urbanas explodiam na Serra, principalmente nos idos das décadas de 1980, 1990 e 2000, agora nesta época de crise o fenômeno permanece.

Tanto que está acontecendo na extensa  área que fica entre a estação de tratamento de esgoto da Cesan e o conjunto de casas populares localizados em frente ao setor Oceania no bairro Cidade Continental, às margens da avenida que liga Novo Horizonte ao balneário de Bicanga.

E não é só aí. Terrenos também estão sendo demarcados no entorno do conjunto de casas populares, avançando em direção a uma lagoa, matas e brejos que ainda existem no local.

Sob a condição do anonimato, pessoas que participam da ação disseram que tudo começou na última quinta – feira (24). Falaram também que a área ocupada seria da Prefeitura e que a parte do terreno que está mais distante da avenida e que ainda possui remanescentes de mata Atlântica pertence à mineradora Vale.

Segundo essas pessoas, a parte pertencente a Vale não teria sido invadida. Disseram ainda que pelo menos 300 pessoas estariam participando da invasão e a todo momento chegava mais gente.

No final da tarde desta segunda – feira (28) a movimentação de gente e também de carros e motos era intensa na região. Também havia focos de pequenos incêndios na vegetação em diversos pontos da área.

Para ver a invasão basta passar na avenida que sai de Novo Horizonte em direção a Bicanga. O cenário é semelhante ao de outras invasões já acontecidas na cidade. Tocos de árvores cortadas do próprio local servindo de suporte para a fixação de fita zebrada para separar o quinhão de terra conseguido por cada participante.

Crianças, idosos,  jovens, gente de todas as idades. Facões, enxadas, cavadeiras, lonas, fogueiras e até uns primeiros barracos precariamente erguidos pela turma mais adiantada. Carros, motos. Um ritual coletivo que, se não fosse a miséria e tensão que subjazem a essa forma nascer um assentamento humano, lembraria até uma festa.

Parque ambiental

A área é vizinha ao Parque Natural Municipal de Bicanga, reduto de espécies ameaçadas da fauna e da flora, com seus 88 hectares que ajudam a proteger (e também filtrar) as águas dos córregos Laranjeiras e São Diogo. Ambos se encontram e formam o rio Guaxindiba, que deságua entre as praias de Bicanga e Manguinhos.

A reportagem já acionou a Prefeitura da Serra e assim que tiver um posicionamento sobre o caso publicará neste espaço.

Anos atrás, outros terrenos próximos já haviam sido alvo de invasões na região, que desde a implantação do Complexo Industrial de Tubarão sofre forte pressão imobiliária, sobretudo por camadas mais humildes da população.

Muitas dessas invasões prosperaram e viraram bairros com profundos desafios sociais e ambientais.  Outras foram repelidas após mandados de reintegração de posse expedidos em favor dos proprietários e executados pela Polícia Militar. Nem sempre de forma pacífica.

 

 

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