Se eleição fosse Carnaval, com certeza absoluta o Rei Momo seria o governador Renato Casagrande. Figura máxima da folia, tradicionalmente o Rei Momo é um personagem alegre, carismático e festivo, características que dialogam com o estilo “Casão” de governar Só que, na avenida eleitoral, surgem outros personagens que também querem o título de Rei Momo (ou melhor, o de governador do Espírito Santo).
Esses personagens estão, ao menos por ora, unidos no chamado trio PHA: Pazolini, Hartung e Arnaldinho; prefeito de Vitória, ex-governador e prefeito de Vila Velha, respectivamente. Trata-se de um palanque robusto, com musculatura política suficiente para fazer frente ao atual rei.
Casagrande já definiu que, por parte do seu grupo político, o candidato escolhido será o vice-governador Ricardo Ferraço, formando o palanque RR: Renato e Ricardo. Cabe lembrar que Casagrande não pode mais disputar a reeleição e que seu caminho natural é renunciar ao cargo em abril para ficar apto a concorrer a uma vaga no Senado. Nesse cenário, quem assume o governo é o próprio Ricardo Ferraço, mantendo, porém, Casagrande como principal liderança popular e fio condutor junto ao eleitorado.
O trio oposicionista abriu alas eleitorais neste período carnavalesco, quando Pazolini e Arnaldinho apareceram juntos no Sambão do Povo, exibindo uma sintonia nunca antes vista. O gesto se soma ao entusiasmo cada vez mais explícito de Paulo Hartung em apoiar novos nomes ao governo, especialmente Pazolini.
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A aproximação entre Pazolini e Arnaldinho surge no momento certo, já que, se forem candidatos, ambos também precisariam renunciar aos cargos em abril. Num cenário em que Ricardo Ferraço será o candidato governista, o polo bolsonarista raiz também deverá lançar um nome, assim como o polo petista. Não há espaço, portanto, para Arnaldinho e Pazolini concorrerem separadamente. Ou é um, ou é outro. Em termos práticos: um renuncia, o outro permanece como prefeito.
Políticos considerados jovens, bem avaliados em seus redutos e nativos das redes sociais se unem, nesse arranjo, a uma raposa política: Paulo Hartung, capaz de oferecer estrutura, blindagem institucional e densidade no diálogo político, além de um trabalho de bastidores absolutamente necessário.
Além da força pessoal e do eleitorado que tende a apostar na renovação da governança, o trio PHA forma um palanque de direita moderada, com potencial para atrair votos de centro-direita e também de bolsonaristas menos alinhados aos extremos, sobretudo num cenário em que, por exemplo, o senador Magno Malta venha a ser o candidato do bolsonarismo ao governo.
Arnaldinho largou a mão do Palácio Anchieta no momento em que Casagrande anunciou Ferraço como seu candidato à sucessão. Ainda assim, desde que Arnaldinho assumiu o controle do PSDB, era questão de tempo para que o racha se concretizasse.
Num panorama como esse, tanto o palanque PHA quanto o RR passam a depender ainda mais do eleitorado da Serra, transformando o município na verdadeira joia da coroa. Em tese, o RR é mais forte no interior do Estado, e com razão, já que o ciclo de governança liderado por Casagrande promoveu um processo de interiorização de investimentos sem precedentes. Já o PHA tende a ser mais forte na Grande Vitória, o que faz da Serra, maior colégio eleitoral do Espírito Santo, o centro nervoso da disputa.
Tanto o prefeito Weverson Meireles quanto o ex-prefeito Sérgio Vidigal não demonstram dúvidas quanto à manutenção da parceria com Ricardo e Renato. Pablo Muribeca, outra liderança que emergiu nos últimos anos, tende a caminhar com Pazolini. Já os deputados Vandinho Leite, Xambinho e Fábio Duarte devem permanecer no palanque RR. O ex-prefeito Audifax está filiado ao PP e deverá seguir a decisão partidária, ainda indefinida entre RR e PHA.
Cartas na mesa, ou melhor, samba nos pés da avenida eleitoral. É Carnaval, mas também é tempo de fazer política.

