Médico alerta para o risco da febre amarela chegar à Serra

O perigo é que pessoas infectadas que vêm de Minas Gerais possam ser picadas por mosquitos transmissores
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Por enquanto a vacinação em massa será só nas cidades que fazem divisa com Minas e onde há casos sob investigação. Foto: Divulgação/ Agência Brasil

Por Thiago Albuquerque

É real o risco da febre amarela chegar à Serra. Isso por conta do fluxo de pessoas que vêm das regiões de Minas Gerais onde surgiu o surto da doença, principalmente nesta época de verão onde os mineiros buscam as prias da cidade para se divertir. O alerta é do médico Leonardo Abou Kamel Machado.

Segundo Leonardo, uma pessoa picada pelo mosquito silvestre (haemagogus) contaminado,  pode viajar com o vírus encubado para a Serra. Aqui, um mosquito como o Aedes Aegipt (transmissor também da dengue, zika e chicungunya) pode picar essa paciente infectado e transmitir a febre amarela para outra pessoa.

Mas ainda não há planos para a vacinação da população da Serra. Apenas das cidades capixabas na divisa com Minas Geriais e outras três – Conceição do Castelo, São Roque do Canaã  e Venda Nova do Imigrante– onde apareceram casos suspeitos.  A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) pretende começar a vacinação nesses locais até a próxima segunda-feira (23).

O surto que se espalhou nas últimas semanas, fez com que pessoas de regiões não afetadas corressem em busca de vacina, inclusive na Serra e outras cidades da Grande Vitória.  Até o momento foram confirmadas sete mortes pela doença em Minas Gerais. No Espírito Santo, até o fechamento desta edição na tarde da última quinta-feira (19), existiam seis casos suspeitos.  Um desses casos é de uma mulher de 37 anos, moradora de São Roque do Canaã, que inclusive chegou a ser atendida numa Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) na Serra. 

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Não há mais vacinas na Serra, no entanto novas doses devem chegar ao município. Através da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal e Saúde informou na última quinta-feira (19) que vai aguardar o repasse das vacinas. Porém só receberá a imunização quem for viajar para as regiões de risco.

Proteção aos macacos

Assim como os seres humanos, os macacos são hospedeiros e vítimas da febre amarela, cujo vírus causador da doença é de origem africana. Nas últimas semanas vários macacos apareceram mortos no estado e os casos estão sob investigação.

Com o temor de que as pessoas acabem atacando os animais, governos e especialistas vem alertando que os macacos não oferecem riscos. Pelo contrário. Eles vivem em áreas de florestas, e a sua presença ali funciona como um filtro contra essas e outras doenças silvestres que poderiam chegar até populações humanas.   

Sintomas podem ser de leves a gravíssimos  

O médico Leonardo Machado explica que a febre amarela pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa. Há casos de pessoas infectadas que não chegam nem a apresentar sintomas, noutras são semelhantes a uma doença infeciosa moderada a casos de falência de falência de órgãos e hemorragia interna.  

Forma leve

A forma leve,tem sintomas de uma doença infecciosa em geral, podendo ter dor de cabeça, febre alta, dor no corpo, enjoo e vômito, com isso ela pode simular um quadro gripal, sendo difícil o diagnostico da febre amarela, e se não passar desses sintomas, em cinco dias o paciente pode voltar ao normal.

Forma moderada

A forma moderada abrange os sintomas da fase leve, acrescentado de icterícia (pele amarela), urina escura, e também pode apresentar hemorragia leve, como gengiva sangrando, sangramento de nariz.

Forma grave

E a pior das classes, a grave, abrange todos os sintomas da leve e moderada, de uma forma mais intensa. Ela também vai se manifestar com o acometimento de fígado e hepático, a pele amarela vai acentuar, terá hemorragia sistêmica, podendo ocorrer um sangramento digestivo, com vomito de sangue, nas fezes.  A urina vai estar vermelha com sangue, o sangramento pelo nariz aumenta, pode ter sangramento pelo ouvido, a mulher pode ter um sangramento maior durante a menstruação, ou até fora dela. É raro sobreviver nesta condição, geralmente o paciente entra em coma e morre.  

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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