O surgimento de uma mancha escura com forte odor na Praia da Guarderia, uma das áreas mais conhecidas da orla de Vitória, levantou dúvidas sobre a origem da contaminação na Baía de Vitória, região costeira próxima ao município da Serra.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (4), a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) afirmou que o problema não tem relação com o sistema de esgotamento sanitário operado pela empresa. Segundo a companhia, a origem da poluição estaria ligada à rede de drenagem pluvial do município de Vitória, que é de responsabilidade da prefeitura.
A Cesan informou ainda que o sistema de coleta e tratamento de esgoto que atende a região funciona normalmente.
Cesan aponta drenagem da prefeitura como origem da contaminação
Segundo a companhia, a mancha escura observada na Praia da Guarderia seria provocada pela água da chuva que escorre pelas ruas da cidade e acaba sendo lançada no mar por meio da rede de drenagem urbana.
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Essa água pode transportar diversos resíduos acumulados nas vias públicas, como:
- fezes e urina de animais
- lixo urbano
- matéria orgânica em decomposição
- outros contaminantes
Todo esse material segue para o mar por meio das tubulações da drenagem pluvial.
A Cesan afirma que essa rede não pertence à companhia, mas sim às prefeituras municipais.
De acordo com a empresa, uma manilha que deságua diretamente na Praia da Guarderia teria provocado a mancha escura observada no local.
Notificação à Prefeitura de Vitória
A Cesan informou que notificou oficialmente a Prefeitura de Vitória em 19 de dezembro de 2025 sobre o risco de extravasamento da rede de drenagem pluvial na região.
Segundo a companhia, o problema estaria ligado a falhas em uma obra realizada pela prefeitura na Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP) da Praia do Canto.
A empresa afirma que documentos oficiais registram o alerta feito ao município sobre a possibilidade de ocorrência desse tipo de situação.
Sistema de esgoto da Cesan é fechado
A companhia destacou que o sistema de coleta e tratamento de esgoto foi projetado para funcionar de forma totalmente fechada. Esse modelo impede o lançamento de esgoto bruto diretamente em praias ou corpos d’água.
Segundo a empresa, todas as redes de esgoto são subterrâneas e seguem até estações de tratamento, onde o material passa por processos que removem até 95% da carga orgânica.
A Cesan afirma que nenhuma parte da rede de esgoto sanitário fica exposta em praias ou áreas públicas. Por isso, tubulações visíveis que despejam água no mar pertencem às redes de drenagem urbana.
Laudo independente aponta contaminação
Um laudo técnico independente solicitado por vereadores de Vitória identificou, em fevereiro, níveis de contaminação microbiológica acima dos limites permitidos pela legislação.
As análises detectaram concentrações elevadas de:
- enterococos fecais
- Escherichia coli
- coliformes totais
Em um dos pontos analisados, próximo à saída da tubulação que deságua na praia, os enterococos fecais chegaram a cerca de 17 mil NMP/100 ml. O limite máximo permitido é de 400, conforme parâmetros da Resolução nº 274/2000 do Conama.
A presença desses microrganismos indica contaminação por material fecal e pode representar risco sanitário para banhistas.
Caso pode ser investigado
Os vereadores responsáveis pela coleta das amostras devem encaminhar o laudo a órgãos de fiscalização ambiental e sanitária, como o Ministério Público e secretarias ambientais.
Os órgãos poderão investigar a origem da contaminação e avaliar possíveis medidas de controle.
Prefeitura de Vitória diz que praias estão próprias para banho
Em nota enviada à reportagem, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória (Semmam) informou que o boletim mais recente de balneabilidade indica que as principais áreas do litoral da capital estão próprias para banho.
Segundo a prefeitura, o levantamento aponta condições adequadas da água em pontos bastante frequentados da orla, como:
- Iate Clube
- Guarderia
- Curva da Jurema
- Ilha do Frade
O monitoramento ocorre de forma contínua por equipes técnicas ambientais. Os profissionais acompanham indicadores de qualidade da água com base em parâmetros definidos por órgãos ambientais. O boletim divulgado é válido até 12 de junho.
A prefeitura informou ainda que, desde o primeiro registro da mancha escura, equipes técnicas realizam coletas de amostras e análises laboratoriais na região.
Segundo a Semmam, o município também mantém diálogo com órgãos responsáveis por obras e sistemas de saneamento, além de especialistas da área ambiental.
Entre os fatores avaliados estão condições ambientais, como regime de chuvas, altas temperaturas e a dinâmica do manguezal da região de Vitória.s, como o regime de chuvas, as altas temperaturas e a dinâmica do manguezal da região de Vitória.