Juara recebe pelo menos 69 milhões de litros de esgoto

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Moradores de Jardim Bela Vista reclamam que pagam taxa de esgoto, mas que o córrego que cai na Juara está imunda. Foto: Edson Reis

Bruno Lyra

O excesso esgoto foi o principal responsável pela mortandade de peixes que atingiu a lagoa Juara em abril, segundo laudo da Prefeitura, feito a partir de amostras da água. As mortandades vêm se repetindo nos últimos anos e até já acabaram com a produção de tilápias em tanques rede. E são pelo menos 48 bairros na área de influência da lagoa, segundo informações da Cesan/Consórcio Serra Ambiental, que são responsáveis pela gestão do esgoto no município. 

Como somente 41,8% dessa área têm imóveis coletadas à rede, o volume mensal de esgoto que cai na lagoa pode passar de 200 milhões de litros/mês. A Cesan admite que caia pelo menos 69 milhões de litros sem tratar.

Toda essa sujeira vem principalmente através de dois riachos: o Doutor Róbson e o córrego das Laranjeiras. Ambos já perderam ‘cara’ de rio e se tornaram valões a céu aberto e foi no ponto onde eles caem na Juara, que as amostras pegaram a água mais contaminada, segundo o secretário de Meio Ambiente da Serra, Marcos Franco.

O córrego Doutor Róbson leva a sujeira de bairros da Serra-Sede. E o córrego das Laranjeiras, da região de Jacaraípe. Segundo a assessoria de imprensa da Cesan, 41,5% da população dessas regiões está ligada à rede de coleta e tratamento de esgoto, o que dá 171 milhões de litros tratados por mês. A empresa disse ainda que 69 milhões de litros não tratados são lançados mensalmente na lagoa, mas o número pode ser bem maior, uma vez que eles representam apenas os 18% da população que tem rede disponível, mas não se ligou a ela.

O valor do volume de esgoto lançado pelo outros 40,5% da população desses 48 bairros não foi informado. Mas se considerada a média de geração de esgoto das demais informadas pela Cesan, pode chegar a 166,8 milhões de litros. O que somados aos outros 69 milhões de litros não tratados chegaria à soma de 235,8 milhões de litros brutos de esgoto por mês.   

“Não é justo pagarmos a taxa de esgoto, que custa 80% do valor da conta de água e o córrego e a lagoa continuarem sujos. A água está feia, uma catinga danada. No bairro lá em cima não tem rede de esgoto”, disse José Aure de Siqueira, 66 anos, morador de Jardim Bela Vista, região da Serra-Sede, há 38 anos. 

Já a Cesan informou que estão sendo implantadas rede de coleta em Campinho da Serra I e Planalto Serrano. Campinho da Serra II, Vista da Serra II e Divinópolis virão na sequência. Todos os bairros estão na região da Serra-Sede, cujas águas vão para a Juara. Disse ainda que a meta da Parceria Público Privada (PPP) com o Serra Ambiental é ter toda os bairros dos municípios com 100% de cobertura até 2023. 

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Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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