Mais uma reviravolta envolvendo a Câmara da Serra pode resultar na cassação da chapa proporcional do PSB e na anulação dos votos obtidos pelos candidatos do partido nas eleições de 2024. O caso está sob investigação da Polícia Federal, que apura possíveis irregularidades no registro da chapa de mulheres, especificamente na candidatura de Yolita Loyola, alvo de denúncia do Ministério Público.
Yolita recebeu 12 votos no pleito. As investigações analisam, entre outros pontos, a prestação de contas da candidata. Foram identificadas quatro notas fiscais apresentadas como comprovantes de despesas de campanha: uma do Kilão Manoel Plaza, no valor de R$ 495,00; outra do Supermercado BH, de R$ 648,17; uma da Realmar Distribuidora LTDA, no valor de R$ 112,46; e uma da lanchonete Subway, no valor de R$ 40,00.
De acordo com o processo, os documentos se referem à compra de bombons, salgadinhos, sanduíches e outros itens de consumo pessoal. A ação também aponta que a nota fiscal do Kilão Manoel Plaza foi emitida em nome do CPF da candidata, e não do CNPJ de campanha, o que pode indicar uso indevido de recursos eleitorais para despesas pessoais.
Outro ponto sob apuração envolve o pagamento de R$ 1.100,00 à filha da candidata, Fernanda Matilde Loyola dos Santos, por serviços de militância e mobilização de rua. No entanto, dados da Polícia Federal indicam que, entre 28 de julho de 2024 e 18 de abril de 2025, Fernanda estava fora do país. Informações de tráfego internacional e redes sociais apontam que ela reside nos Estados Unidos e se encontrava no exterior durante o período da campanha.
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A investigação também apura possível fraude à cota de gênero. Segundo a denúncia, a candidatura de Yolita Loyola de Andrade teria sido registrada apenas para cumprir a exigência legal de percentual mínimo de candidaturas femininas, sem efetiva participação na disputa. Esse tipo de fraude é considerado de natureza coletiva e pode levar à anulação de toda a chapa partidária, com possíveis reflexos no mandato de vereadores eleitos, como o vereador Professor Rurdiney.
O processo investiga eventual violação ao artigo 350 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965), que trata de falsidade ideológica. O Ministério Público aponta suspeita de irregularidades que somariam R$ 7.200,00.
Caso a fraude seja confirmada, as consequências podem incluir:
- Anulação de todos os votos recebidos pelo PSB;
- Recalculo do quociente eleitoral;
- Redistribuição das cadeiras entre os demais partidos.
As investigações seguem em andamento sob responsabilidade da Polícia Federal.
A reportagem procurou o presidente do PSB na Serra, Bruno Lamas, e o vereador Rurdiney, mas não obteve retorno até o momento.