Impressora 3D para fabricar armas é descoberta em operação na Serra

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Impressora 3D apreendida durante operação na Serra. Segundo as investigações, o equipamento poderia ser usado na fabricação de peças de armas de fogo produzidas a partir de projetos digitais compartilhados na internet. Crédito: divulgação.

Uma operação realizada na manhã desta quinta-feira (12) encontrou uma impressora 3D usada na fabricação de peças de armas de fogo no município da Serra.

A apreensão ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão ligado à Operação Shadowgun, investigação nacional que apura um esquema de produção e venda ilegal de componentes de armamentos feitos com tecnologia de impressão 3D.

No endereço alvo da operação na Serra, equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) encontraram uma impressora 3D. Além disso, os agentes apreenderam materiais usados na fabricação de peças de armas, um carregador de pistola calibre 9 milímetros e cartões ligados à empresa do investigado.

O MP não informou o bairro nem o nome dos envolvidos. Agora, os investigadores vão encaminhar todo o material apreendido ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que conduz a investigação principal do caso.

Investigação apura fabricação de armas com impressoras domésticas

A operação investiga um grupo suspeito de desenvolver e comercializar peças de armas de fogo produzidas com impressoras 3D. Esse tipo de tecnologia permite fabricar componentes com polímeros de alta resistência usando equipamentos domésticos.

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Por isso, o rastreamento desses armamentos se torna muito mais difícil.

Segundo as investigações, os suspeitos compartilhavam na internet arquivos digitais com instruções detalhadas para produzir as peças. Dessa forma, qualquer pessoa poderia montar armas a partir de projetos baixados online.

Além disso, autoridades afirmam que esse tipo de armamento recebe o nome de “arma fantasma”, pois pode ser produzido sem registro e sem numeração de série.

Operação ocorre em diversos estados

A Operação Shadowgun cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em vários estados brasileiros. Entre eles estão Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba.

De acordo com os investigadores, cinco pessoas foram denunciadas por participação no esquema. Elas são suspeitas de atuar no desenvolvimento, produção e venda de peças utilizadas na montagem das armas.

Entre os crimes investigados estão:

  • organização criminosa
  • lavagem de dinheiro
  • comércio ilegal de arma de fogo

Além disso, as autoridades investigam a venda dessas peças pela internet. Parte dos compradores, segundo a investigação, possui antecedentes criminais.

Tecnologia preocupa autoridades

Investigadores afirmam que a fabricação de armas com impressoras 3D cresce em diversos países. O baixo custo da tecnologia e a facilidade de compartilhar projetos digitais ampliam o risco de circulação de armamentos sem controle estatal.

No Brasil, a legislação considera crime fabricar armas de fogo, mesmo quando a produção ocorre de forma caseira.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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