Uma policial militar denunciou ter sido vítima de importunação e constrangimento na manhã da última quinta-feira (2), dentro de um condomínio no bairro Porto Canoa, na Serra. O caso foi registrado pela Polícia Militar e encaminhado à 3ª Delegacia Regional da Serra, onde as partes apresentaram versões distintas dos fatos.
De acordo com o Boletim Unificado da Polícia Militar, a ocorrência foi registrada por volta das 10h56, após acionamento do Ciodes para averiguação de uma situação classificada como ocorrência diversa/assistencial.
Denúncia da policial
Segundo o registro policial, a 3ª sargento da PM relatou que estava sentada no sofá da sala de seu apartamento, com a janela aberta, quando percebeu que um vizinho, morador de um apartamento em frente, estaria apontando um telefone celular em direção à sua residência, aparentando realizar uma filmagem.
Ainda conforme o relato, o homem teria feito movimentos semelhantes aos de masturbação, o que levou a policial a gritar assustada. Após isso, o vizinho teria se afastado rapidamente da janela. Sentindo-se constrangida e ameaçada, a policial procurou a portaria do condomínio para identificar o morador e, posteriormente, solicitou que ele apagasse as supostas imagens feitas de seu corpo.
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Abordagem no condomínio
Conforme o boletim, a policial foi acompanhada inicialmente pelo zelador do condomínio até o corredor da torre onde reside o suspeito, mas seguiu sozinha até a porta do apartamento. O morador atendeu e, segundo a versão apresentada pela militar, negou ter realizado qualquer gravação, mostrando o telefone celular.
O homem teria ainda convidado a policial a entrar no imóvel para esclarecer a situação. Ela informou que acionaria a Polícia Militar e retornou à portaria, onde aguardou a chegada da guarnição.
Versão do suspeito
À polícia, o morador negou as acusações. Ele afirmou que, no horário citado, estava em uma chamada de vídeo com a namorada e que, em determinado momento, teria mostrado imagens do quarteirão pela câmera do celular, retornando em seguida para o interior do apartamento.
Segundo sua versão, a policial teria batido de forma intensa à sua porta e entrado no imóvel com sua autorização, alegando que ele havia feito imagens dela. O homem negou veementemente qualquer conduta inadequada e informou ter interesse em registrar boletim de ocorrência para resguardar-se.
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Encaminhamento à delegacia
Durante a chegada da guarnição, houve um desentendimento verbal envolvendo a síndica do condomínio, que questionou a presença da polícia e afirmou que não haveria provas suficientes para a denúncia. Após ouvir ambas as partes, os policiais entraram em contato com o delegado de plantão, que informou não vislumbrar, naquele momento, situação típica de crime, orientando que cada envolvido registrasse sua versão dos fatos na delegacia.
Com interesse mútuo, a guarnição prestou apoio e conduziu a policial e o morador até a 3ª Delegacia Regional da Serra, onde os registros foram formalizados. O boletim aponta que nenhuma das partes apresentava lesões corporais.
Caso segue sob apuração
O boletim registra ainda que o morador foi orientado sobre a possibilidade de procurar a Corregedoria da PMES, caso se sentisse prejudicado pela conduta da policial. O caso agora segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que avaliará as versões apresentadas e a necessidade de eventuais desdobramentos investigativos.

