A fábrica que a montadora chinesa GWM vai instalar em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, não será apenas uma unidade de montagem de veículos. A planta seguirá o modelo OEM (Original Equipment Manufacturer), com produção completa sob o mesmo teto, incluindo estamparia, soldagem, pintura e montagem final.
Na prática, isso significa que o Espírito Santo não receberá apenas a remontagem de kits importados. Pelo contrário, o Estado ganhará uma fábrica com produção própria, desenvolvimento de peças, formação de cadeia de fornecedores e forte integração com diversos setores da economia.
A unidade da GWM ocupará cerca de 1,7 milhão de metros quadrados na área industrial de Barra do Riacho, a aproximadamente 50 a 60 quilômetros de Jacaraípe e Laranjeiras. Além disso, terá capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano. A estimativa aponta para a geração de até 10 mil empregos diretos e indiretos na fase operacional.
Muito além do modelo CKD
Historicamente, muitas montadoras estrangeiras iniciam operações no Brasil por meio do modelo CKD (Completely Knocked Down). Nesse formato, o veículo chega desmontado e as equipes apenas realizam a remontagem no país. Como resultado, há menor geração de empregos qualificados e pouca produção local de componentes.
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A GWM, no entanto, adotará o modelo OEM, considerado mais avançado. Nesse sistema, a indústria realiza todas as etapas produtivas, desde o processamento da matéria-prima até a finalização do veículo.
Consequentemente, o projeto amplia a demanda por logística, serviços industriais, energia, tecnologia e infraestrutura portuária.
Sinergia com a siderurgia da Serra
O projeto ganha ainda mais relevância quando analisado dentro do contexto industrial capixaba. A Serra concentra um dos principais polos siderúrgicos do país, com a presença da ArcelorMittal, que já anunciou investimento de cerca de R$ 4 bilhões na construção de um novo laminador de tiras a frio.
Esse tipo de aço atende justamente segmentos de maior valor agregado, como o setor automotivo.
Dessa forma, a instalação da GWM no Estado pode criar uma sinergia direta entre a produção de aço e a indústria automobilística, fortalecendo a cadeia local e reduzindo a dependência de insumos externos.
Cadeia de fornecedores será estratégica
Outro ponto central será a formação de fornecedores locais. Atualmente, o Espírito Santo ainda possui participação reduzida na indústria automobilística, tendo como principal referência a planta da Marcopolo, em São Mateus.
Inicialmente, parte dos fornecedores deve acompanhar a montadora. Contudo, a estratégia prevê estruturar uma rede capixaba de fornecimento, com fabricação local de peças e componentes.
Esse movimento tende a atrair novas empresas, estimular investimentos industriais e gerar efeito multiplicador na economia regional.
GWM: Conteúdo local e competitividade internacional
A produção local não representa apenas uma decisão industrial. Além disso, envolve aspectos tributários e comerciais.
Para acessar benefícios fiscais de forma plena e atender às exigências de acordos internacionais, como o firmado entre Mercosul e União Europeia, as empresas precisam comprovar produção efetiva em solo brasileiro, e não apenas montagem.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de fornecedores locais aumenta a produtividade, reduz custos logísticos e fortalece a competitividade internacional da indústria.
Por que o Espírito Santo? GWM explica…
Segundo executivos da GWM, a escolha pelo Estado considerou diversos fatores estratégicos, como:
- Infraestrutura logística
- Disponibilidade portuária
- Oferta de energia
- Proximidade de grandes centros consumidores
- Disponibilidade de terrenos
- Incentivos fiscais
- Segurança institucional e previsibilidade
O projeto tem horizonte de longo prazo, com estimativa de operação entre 30 e 40 anos.
Impacto na construção civil e geração de empregos
Durante a fase de implantação, entre 1.500 e 3.500 trabalhadores da construção civil devem atuar nas obras. Posteriormente, na operação plena, a projeção indica até 10 mil empregos diretos e indiretos.
Antes do início da produção, entretanto, a empresa ainda precisa concluir etapas como a regularização definitiva da área, o licenciamento ambiental e a preparação do terreno.
Próximos passos
As próximas etapas incluem levantamentos topográficos e sondagens, licenciamento ambiental e início da terraplanagem e preparação do terreno.

