Equipamento de segurança vira risco de morte para taxistas

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Grupo de taxistas que tem ponto na região de Laranjeiras

O uso do GPS (Global Positioning Systen), sistema eletrônico para rastreamento e monitoramento dos taxis da Serra e que também funciona como botão de pânico pode estar com os dias contados. Um projeto de Lei (209/2014) promete por fim à obrigação de utilização do equipamento.

Taxistas da Serra ouvidos pela reportagem se dividem sobre o uso do equipamento. Alguns não querem utilizá-lo, por entenderem que pode ser perigoso, no caso de seu acionamento ser notado por um assaltante. “Como sistema de monitoramento, o botão só protege o carro. É perigoso o seu uso para situações de perigo, como os assaltos.Pretendo desinstalar assim que for facultativo”, disse um taxista  que atua na região de Laranjeiras e pediu para não ser identificado.

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Outro taxista, Lauro José da Silva, disse que possui seis placas de taxis e orienta aos seus contratados a não utilizarem o botão em caso de assalto. “O monitoramento é bom, mas o botão, uma vez acionado, pode gerar a revolta dos criminosos, e este fato já levou à perda de colegas de profissão.Pretendo manter o equipamento instalado apenas para monitorar os veículos que possuo”, observou.

O projeto de lei que faculta ao taxista a decisão sobre o uso do GPS é do vereador Gilmar Carlos da Silva (PT). Ele concorda que o GPS como botão de pânico,ao ser acionado pelo taxista, este recebe uma ligação da central de monitoramento. “Esta movimentação, se percebida pelo criminoso, pode custar a vida do profissional”, disse.

Atualmente, duas empresas oferecem o serviço aos taxistas da Serra, homologadas junto à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). O serviço custa entre R$ 70 e 90/mensais para cada veículo contratante, de acordo com o período de vigência do contrato.

A assessoria de comunicação da prefeitura da Serra informou que, visando ampliar a segurança dos taxistas, a Lei Municipal 3541/2010 instituiu a obrigatoriedade do aparelho rastreador e localizador em todos os veículos. Com o sistema, o veículo passa a contar com botões em locais distintos, que apenas o condutor conhece, podendo ser acionados em situação de perigo. Apertado o botão, a empresa é alertada e aciona o Ciodes. As empresas são homologadas pela Prefeitura da Serra, já que atendem aos requisitos previstos na Lei. Oferecem o GPS a Vig Auto e Múltipla Digital, e os valores são acordados com os próprios permissionários.

A frota de táxis da Serra é de 386 veículos, segundo a Prefeitura.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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