O que começou como uma noite de lazer em um show da cantora Anitta acabou se transformando em um dos episódios mais comentados da semana nas redes sociais brasileiras. Aos 34 anos, o social media Raoni de Medeiros Ribeiro viu seu nome e o da concessionária da Serra, onde trabalha, ganharem projeção nacional após vídeos gravados para seu perfil pessoal serem publicados, por engano, no Instagram oficial da empresa.
Em poucas horas, o conteúdo ultrapassou o público habitual da concessionária, alcançou páginas de entretenimento, portais de fofoca, programas de rádio e se tornou pauta em veículos de comunicação de diferentes regiões do país. O episódio deixou de ser apenas um erro operacional e passou a ser tratado como um case real sobre redes sociais, alcance orgânico, gestão de crise e reputação digital.
Raoni conta que o episódio aconteceu durante um feriado no Rio de Janeiro, quando ele não estava em expediente. Enquanto curtia o show da cantora pop, o sinal de internet ficou instável e impediu que ele acompanhasse o que estava acontecendo nas redes em tempo real.
“Quando o show acabou e eu consegui pegar o celular, vi um monte de ligações e mensagens no WhatsApp. Quando abri o Instagram da concessionária, os vídeos começaram a carregar todos de uma vez. Alguns ainda estavam subindo e eu cancelei na mesma hora. Aí entendi que tinha dado muito errado”, relembra ao Portal Tempo Novo.
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Até então, o perfil da empresa contava com cerca de 179 mil seguidores. A primeira reação, segundo ele, foi de pânico. “Eu gelei. Achei que tinha acabado com a minha carreira. Foi um desespero que eu nunca tinha sentido antes. Eu pensei: não tem mais volta”, diz.
Mesmo diante da pressão para apagar o conteúdo imediatamente, Raoni optou por agir com cautela e avisar a liderança da empresa antes de qualquer atitude. “Mesmo apagando, aquilo já tinha sido visto. Preferi ser transparente e avisar imediatamente”, explica.
Perfil de loja da Serra viralizou com show da Anitta

Inicialmente, ele acreditou que a situação se resumiria a comentários pontuais entre os seguidores da concessionária. Essa percepção mudou rapidamente. “Eu achei que ia fazer um barulhinho, como outros virais que a gente já teve. Mas quando começaram a surgir portais grandes e páginas de fofoca, eu entendi que a coisa tinha tomado uma proporção muito maior”.
O divisor de águas, segundo Raoni, foi perceber que o caso estava sendo repercutido por perfis nacionais de entretenimento. A partir daí, começaram convites para entrevistas e pedidos de esclarecimento.
Sem tentar minimizar o ocorrido, ele assume a responsabilidade e explica o contexto do erro. “Foi a bebida. Não foi confusão de conta nem distração”, brincou. Outro fator decisivo foi o uso do mesmo aparelho para fins pessoais e profissionais. Após ter sido assaltado no fim do ano passado, Raoni passou a utilizar o telefone da empresa com autorização do gestor, até conseguir adquirir um novo.
Durante o evento, colegas e amigos tentaram alertá-lo diversas vezes, mas a combinação de sinal ruim e falta de percepção impediu que ele entendesse o que estava acontecendo. “O sinal estava péssimo. As ligações não completavam e eu não entendia nada. Só fui perceber de verdade depois”.
Enquanto Raoni curtia o show, o clima dentro da concessionária era de tensão. Funcionários tentavam contato e o grupo interno de mensagens se transformou em um espaço de alerta constante. A decisão sobre como lidar com a situação veio no dia seguinte.
Concessionária decidiu levar história na esportiva
Segundo Victor Dantas, CEO da Jazz, o momento exigiu frieza e análise estratégica. “Quando entendemos a dimensão que aquilo estava tomando, optamos por agir com calma e inteligência. Poderíamos transformar a situação em algo positivo, sem prejudicar a empresa e nem o colaborador”.
A empresa decidiu não apagar a história nem tentar escondê-la. Pelo contrário, optou por assumir o ocorrido de forma transparente e conduzir a narrativa com naturalidade. “Ou a gente abraçava isso e transformava em algo positivo, ou todo mundo sairia prejudicado”, explicou Raoni.
A estratégia se mostrou acertada. Em apenas três dias, o perfil da concessionária saltou de 179 mil para cerca de 227 mil seguidores, um crescimento próximo de 50 mil novos seguidores. O impacto também se refletiu no engajamento e na visibilidade institucional da marca, fortalecendo a imagem de autenticidade nas redes sociais.
Com a repercussão, a unidade da Jazz na Serra, no Espírito Santo, ganhou destaque em nível nacional. De acordo com Victor Dantas, a loja faz parte de um projeto estratégico de expansão da marca. “A unidade da Serra é recente, mas já nasceu com a mesma identidade das nossas operações no Rio de Janeiro. É uma loja moderna, bem estruturada e que vem apresentando ótimos resultados desde a inauguração”.
Ainda segundo o CEO, a escolha do Espírito Santo como primeiro estado fora do Rio de Janeiro foi baseada em dados de mercado. “O Espírito Santo sempre foi visto por nós como um mercado muito promissor. O consumidor capixaba tem bom histórico de crédito e a região vinha apresentando números positivos, mesmo quando outros grandes centros enfrentavam retração. A Serra foi uma escolha estratégica”.
O episódio chegou até a própria Anitta. A cantora viu edições feitas por fãs nas redes sociais e reagiu com bom humor à situação, o que contribuiu para ampliar ainda mais o alcance do caso.
Apesar do crescimento expressivo, Raoni ressalta que a viralização não se traduz diretamente em vendas. “Ninguém compra um carro por causa de um vídeo viral. Mas a visibilidade, a notoriedade e o fortalecimento da marca são ganhos enormes”, completa.