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terça-feira, 04 de agosto de 2020

‘Fuga’ de apartamento na pandemia aquece vendas em condomínios de casas na Serra

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Para loteamentos e condomínios fechados de casas voltados às classes média e alta na Serra, a crise financeira gerada pela pandemia da covid-19 teve efeito inverso. Nos três principais empreendimentos voltados para este perfil, houve aumento da procura em até 50%, o que desdobrou na valorização de casas e terrenos. Em alguns casos, essa valorização chegou a mais de 70%.

E pelo menos parte da explicação desse aquecimento, pode estar no efeito da própria pandemia: o confinamento. É que boa parte da procura pelos imóveis tem vindo justamente de famílias que moram em apartamentos e estão desejosas de mais espaço. Situação que tem sido notada nos bairros Boulevard Lagoa, Arquipélago de Manguinhos e Alphaville Jacuhy.

No Boulevard Lagoa, a valorização chegou a 70% segundo morador e investidor local. Foto: Divulgação/Arquivo/Sagrilo

Morador e proprietário de imóveis no Boulevard Lagoa, Sizenando Braga, disse que observou aumento da procura por terrenos e casas quando começou a pandemia. “Percebi valorização de 40% a 50%. Terei um novo vizinho de frente que está de mudança de um apartamento da Praia da Costa (Vila Velha) para cá. Ele está ajeitando a casa que comprou  e deve mudar nos próximos dias”, conta.

Sizenando destaca que, por mais amplos que sejam o apartamento e a área de lazer, não se compara com bairros fechados. “Há muito mais qualidade de vida. E essa pandemia indica que o home-office deve se ampliar. Então é melhor trabalhar num espaço amplo, agradável, onde as crianças, adolescentes e todos os outros moradores têm áreas amplas para convivência e lazer. E ainda podem circular nas ruas com segurança”, conta o morador, que em 2013 mudou-se do apartamento em que vivia no bairro Bento Ferreira, Vitória, para o condomínio de casas serrano.

Ouvidor da Associação de Moradores do Boulevard Lagoa, Luiz Cláudio ‘Juca’ Rezende, concorda com o vizinho. “De uma hora para outra a procura por lotes, compra de casas prontas e até para aluguéis cresceu bastante. Com menos imóveis disponíveis, o preço subiu. É a lei da oferta e da procura. Há seis meses um lote na minha rua saía a R$ 180 mil. Hoje, o mesmo terreno já está sendo negociado a R$ 300 mil. Um lote de frente para a lagoa, que custava R$ 350 mil, passou a valer R$ 600 mil na pandemia (valorização de 71%)”, detalha.

Juca, como é mais conhecido, afirma que já há 290 casas prontas no Boulevard, 80 em obras e outros 25 projetos em fase de tramitação para autorização junto ao município e ao condomínio, uma vez que este também prevê regras para construções em seu interior. O representante da Associação de Moradores acrescenta ainda que o Boulevard já tem algumas atividades comerciais em seu interior, como uma lanchonete e feira. E, com a chegada de novos moradores, negocia a instalação de um restaurante e um hortifruti.

Vale lembrar que recentemente o condomínio virou notícia no Estado porque a cantora Wanessa Camargo, que é casada com um empresário capixaba, alugou casa para passar temporada no bairro e fez até uma live no imóvel. “Funcionou tão bem que parece que a Wanessa cedeu a casa para o Eduardo Costa também fazer sua live ali”, acrescenta Juca.

Vendas em alta no Arquipélago de Manguinhos   

Em outro loteamento fechado da Serra, o Arquipélago de Manguinhos, também foi percebida valorização e mais negócios neste período de pandemia. “Lotes que eram vendidos a R$ 200 mil, agora já estão em R$ 220 mil. Está grande a procura por casas e lotes, houve crescimento de 40% na demanda. Esse crescimento também acontece nos loteamentos abertos de casas, como no Yahoo Residence”, lembra.

No Arquipélago de Manguinhos em metade das aquisições de casas durante a pandemia o comprador usou apartamento para pagamento. Foto: Divulgação.

Renato também acredita que o confinamento forçado pela pandemia está mudando o comportamento do consumidor. Mas não crê que seja este o único motivo. “A oscilação do mercado de ações e o baixo rendimento nas aplicações bancárias tem feito as pessoas optarem por investir em imóveis”, avalia.

No entanto, Renato conta que na metade dos negócios que fechou para a compra de casas prontas no Arquipélago durante a pandemia, o comprador usou o apartamento em que morava como parte do pagamento. Mas lembra que esse percentual reduz quando se trata de compra apenas do lote.

Valorização acelera negócios e obras no Alphaville Jacuhy

Num dos mais luxuosos condomínios de casas do ES, o Alpaville Jacuhy, o crescimento da procura por terrenos subiu 60%. E por casas prontas, 30%. Também aumentou a procura por aluguel de residências. É o que aponta o vice-presidente da Associação de Moradores do Alphaville Jacuhy (Amaj), Fábio Peixoto.

“A maioria dos que procuram são moradores de apartamentos de Vitória nos bairros Praia do Canto e Jardim Camburi. Mas também tem gente de Vila Velha e aqui da Serra. E ainda alguns de fora do ES, que estão vindo para o estado por razões profissionais. Toda essa procura gerou valorização média de 35% dos imóveis, mas para a venda de algumas casas prontas o valor chegou a crescer 50%”, detalha.

Boa parte dos compradores no Alphaville Jacuhy são moradores de apartamentos de Vitória e Vila Velha que querem morar em casas. Foto: Divulgação

Para Fábio, parte desse aumento é efeito psicológico da pandemia, além do aprofundamento do home office que a disseminação do novo coronavírus acabou provocando. “Quem mora em apartamento sente mais a reclusão. Mas há também o fator da valorização. Quem compra terreno e constrói, tem ganho imediato de pelo menos 40% sobre o valor investido”, argumenta.

O aquecimento das vendas está mudando a paisagem do condomínio, cujos primeiros lotes começaram a ser vendidos no final da década passada. Em pouco mais de 10 anos, foram erguidas cerca de 180 construções. Neste momento há outras 180 em andamento. Segundo Fábio, há diversos projetos novos em processo de aprovação e a expectativa é a de que até o final de 2022 haja 500 unidades entre construídas e em obras.

Vale lembra que o Alphaville Jachuy também tem uma parte destinada a imóveis comerciais. Segundo a Amaj, dos 1.381 lotes existentes no condomínio 181 são comerciais. A área comercial fica mais próxima à Rodovia do Contorno (BR 101).

Mercado imobiliário ainda sob impacto da crise

Embora com número estável de mortes e novos contaminados, a pandemia segue presente e com impactos na economia da cidade, que já vinha enfrentando dificuldades com a conjuntura macroeconômica do país. E também com as dificuldades da economia capixaba geradas principalmente pelas quedas do setor de petróleo, mineração e siderurgia.

Portanto, os reflexos desta crise no setor imobiliário permanecem, não obstante os bons indicadores do segmento de loteamento fechado de casas. Tanto que, segundo a Prefeitura da Serra, em maio e junho a emissão de guias para recolhimento do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis ) caiu 10% em relação aos mesmos meses de 2019.

O tributo é recolhido no ato de compra e venda de terreno, residencial ou empresarial, casa, apartamento, sala comercial ou alguma outra edificação corporativa. E serve de indicador para avaliar a quantas anda o mercado imobiliário como um todo.

 

 

 

 

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Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

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