A proposta de fim da escala 6×1, que avança na Câmara dos Deputados por meio de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), já provoca reação no principal polo econômico do Espírito Santo: a Serra.
Diante desse cenário, a Associação dos Empresários da Serra (Ases) adotou um tom claro ao se posicionar: acompanha o debate “com atenção e preocupação”.
A palavra escolhida pela Ases, por meio de sua presidente, Leonelle Lamas, não é neutra. Ao declarar preocupação, a Ases sinaliza que enxerga riscos concretos para a economia local caso a mudança avance sem avaliação detalhada dos impactos.
Cabe ressaltar que o município concentra 160.268 trabalhadores com carteira assinada, segundo dados do Caged, o maior número do Estado, que soma 923.196 vínculos formais. Além disso, a Serra lidera a economia capixaba, com forte presença da indústria, comércio e serviços.
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Ases alerta para micro e pequenas empresas
O ponto mais sensível destacado pela entidade envolve as micro e pequenas empresas, justamente aquelas que concentram grande parte dos empregos formais e que sustentam o comércio de bairro, os serviços do dia a dia e a renda de milhares de famílias serranas.
Segundo a Ases, mudanças dessa magnitude precisam considerar a realidade dos diferentes setores produtivos, especialmente dos pequenos negócios, que possuem menor capacidade de adaptação rápida a novas exigências operacionais.
Na prática, o receio da Ases é que a alteração da jornada provoque aumento de custos, necessidade de novas contratações ou reorganização de turnos, o que pode pressionar principalmente empresas com margens mais apertadas.
Em uma cidade com forte presença de comércio varejista, supermercados, serviços, logística e indústria, o impacto poderia se espalhar por diferentes segmentos, defende a entidade.
Tramitação da PEC
A proposta será relatada na Comissão de Constituição e Justiça pelo deputado Paulo Azi (União-BA). A previsão é que a CCJ conclua a análise em até 30 dias.
Depois, o texto seguirá para uma comissão especial e, posteriormente, para votação em plenário (prevista para maio). Por se tratar de emenda constitucional, serão necessários 308 votos favoráveis.
Enquanto o debate político avança em Brasília, frentes parlamentares ligadas aos setores produtivos intensificaram a mobilização contra o fim da escala 6×1. O argumento central é o possível aumento de custos e risco de redução de postos de trabalho.