Ana Paula Bonelli
O pesquisador e professor de Zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sérgio Lucena alerta para a possibilidade de o mosquito Aedes Aegypt que transmite a dengue,chikungunya e zika virar um transmissor também da febre amarela.
Segundo ele, a possibilidade existe e este é o maior temor de epidemiologistas, climatólogos e o profissionais da área de saúde. “Com a proximidade nos centros urbanos esta preocupação é grande, pois seria muito perigoso. O Aedes está em todas as áreas brasileiras”.
Lucena relembra quando ocorreu o ciclo urbano de febre amarela no Brasil. “Quem transmitia a doença era o Aedes Aegypt. O último caso oficial foi em 1942. Depois disso o país conseguiu extinguir o Aedes e na década de 70 o mosquito voltou. Desde então não tem nenhum registro do Aedes transmitindo a febre amarela em nosso país”, detalha.
A febre amarela é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes que estão presentes em áreas rurais, florestas e matas nativas. “O Barbado e o Bugio, quando a doença chega numa mata onde eles estão, 80 a 90% da população morre. Enquanto os humanos apesar de correr o risco de contrair a doença, a grande maioria é imune e resistente a virose. Para o humano tem uma solução que é a vacina. Para os macacos não há o que se possa fazer para protegê-los. Extinções locais acabam acontecendo. O mais grave é que agora a febre chegou numa região da mata Atlântica que tem várias espécies ameaçadas, que estão sendo afetadas”, afirma Lucena.
