A Diretoria Executiva da Federação das Associações de Moradores e Movimentos Populares do Espírito Santo (FAMOPES) decidiu convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para o dia 7 de novembro de 2026, em Baixo Guandu (ES), com o objetivo de iniciar a organização do novo processo eleitoral da entidade. A decisão foi tomada em reunião realizada no último dia 10 de janeiro, em Vitória, na qual a própria direção reconheceu que o mandato vigente teria se encerrado formalmente em 2021, mas foi mantido sob justificativa de excepcionalidade administrativa.
A reunião foi presidida pelo coordenador geral Jean Cassiano e contou com a participação de integrantes da diretoria, entre eles o coordenador administrativo Juscelino Brzesky e o coordenador financeiro Mario Cesar do Nascimento Moreira.
Segundo a ata, a permanência da atual gestão após o término do mandato em 2021 foi justificada pela necessidade de garantir a continuidade das atividades institucionais e evitar um possível “vácuo de poder”. A diretoria sustenta que a medida teve caráter excepcional, baseada no princípio da continuidade administrativa e na manutenção da atuação da federação em conselhos e espaços de representação. Também foi citado como precedente o período da pandemia, quando diferentes instituições adotaram medidas semelhantes de prorrogação de mandatos.
Outro ponto central do encontro foi a definição do calendário eleitoral. A diretoria avaliou que a realização de eleições antes de outubro de 2026 poderia expor a entidade a um cenário de polarização política, em razão das eleições nacionais e estaduais previstas para o período. Segundo os dirigentes, esse contexto poderia comprometer o caráter apartidário da FAMOPES, motivo pelo qual foi consensuado que o processo eleitoral deve ocorrer em um ambiente mais estável, após esse ciclo.
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Dessa forma, foi deliberada por unanimidade a convocação da Assembleia Geral Extraordinária para novembro de 2026. A pauta inclui a criação de uma comissão eleitoral, a definição de regimento e calendário das eleições, além da discussão sobre possíveis atualizações no estatuto social. Também ficou definido que a coordenação geral será responsável pela publicação de edital com antecedência mínima de 30 dias e ampla divulgação.
Paralelamente, a diretoria denunciou a articulação de um grupo externo à entidade que estaria tentando convocar uma assembleia considerada irregular para esta quarta-feira (15), na Assembleia Legislativa. De acordo com a direção, trata-se de um movimento ilegítimo, formado por pessoas sem vínculo formal com a federação, que estariam utilizando indevidamente a identidade da FAMOPES para tentar antecipar o processo eleitoral fora das regras estatutárias.
“Esse grupo está se articulando com o objetivo de assumir a FAMOPES de maneira irregular, tentando antecipar o processo eleitoral fora das regras que estamos seguindo. Há também o interesse de usar a federação como trampolim político, aproveitando o período eleitoral. Nós, por outro lado, nunca misturamos a FAMOPES com política partidária. Já esse grupo demonstra claramente a intenção de realizar essa assembleia com esse tipo de finalidade”, afirmou o coordenador geral, Jean Cassiano, ao Tempo Novo.
