Uma gigante do setor de calçados e artigos esportivos fechou duas fábricas em pouco mais de um ano e promoveu uma sequência de demissões. A companhia, que afirma ter mais de 25 mil funcionários, decidiu concentrar parte de sua produção em outros mercados após enfrentar redução de pedidos e mudanças nas condições comerciais.
Os dois fechamentos atingiram diretamente cerca de 510 trabalhadores. No entanto, o número de postos eliminados durante o processo é maior, já que uma das unidades passou por sucessivas reduções no quadro de funcionários antes de encerrar definitivamente as atividades.
A empresa por trás da decisão é o Grupo Dass, fabricante que atua na produção de calçados e roupas para algumas das maiores marcas esportivas do mundo. As duas fábricas encerradas ficavam na Argentina. Com o fechamento da última unidade, em julho de 2026, o grupo colocou fim à fabricação industrial de calçados que mantinha no país.
A mudança também atingiu a produção local de tênis de gigantes como Nike e Adidas. Antes do encerramento, a última fábrica argentina da Dass produzia modelos para as duas marcas.
Leia também
Fabricante de calçados reúne 25 mil funcionários
O tamanho do Grupo Dass ajuda a dimensionar o impacto da decisão.
Segundo informações divulgadas pela própria companhia, o grupo reúne mais de 25 mil colaboradores e está entre as grandes operações integradas de desenvolvimento, fabricação e comercialização de artigos esportivos das Américas, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
A empresa informa ainda que produz e comercializa mais de 22 milhões de pares de calçados por ano. No segmento de vestuário, o volume anual supera 15 milhões de peças.
Além da estrutura industrial, o grupo possui dezenas de lojas e mantém operações relacionadas a marcas próprias e internacionais.
Portanto, o fechamento das fábricas argentinas não significa o encerramento das atividades da Dass. A empresa continua com uma ampla estrutura produtiva, especialmente no Brasil.
Primeira fábrica fechou com 360 demissões
A redução da produção argentina ganhou força no início de 2025.
Em janeiro daquele ano, o Grupo Dass encerrou a fábrica de Coronel Suárez, localizada na província de Buenos Aires. A unidade atuava na fabricação de calçados esportivos e tinha forte ligação com a produção para a Adidas.
Com o fechamento, aproximadamente 360 trabalhadores perderam seus empregos. A fabricação terminou em 20 de janeiro de 2025.
Antes disso, a unidade já vinha reduzindo sua estrutura. O número de funcionários caiu ao longo dos meses até chegar aos cerca de 360 trabalhadores que permaneciam na fábrica quando a empresa decidiu encerrar definitivamente a operação.
Naquele momento, porém, a Dass ainda mantinha a produção de calçados no país.
Produção foi concentrada em outra unidade
Depois de fechar Coronel Suárez, a fabricante concentrou sua operação argentina na cidade de Eldorado, na província de Misiones.
Inicialmente, portanto, a decisão representava uma reorganização industrial. A empresa mantinha Eldorado como sua principal estrutura de fabricação de tênis no mercado argentino.
Entretanto, a situação da segunda fábrica também começou a mudar.
A queda no volume de encomendas reduziu a produção e levou a empresa a diminuir gradativamente o número de trabalhadores.
Segunda fábrica sofreu novas demissões
Eldorado já chegou a ocupar uma posição importante na estrutura industrial da Dass.
No auge das atividades, a fábrica empregou aproximadamente 1.500 pessoas e alcançou capacidade de produção de até 22 mil pares de calçados por dia.
Com a redução das encomendas, porém, esses números diminuíram.
Em janeiro de 2026, outros 43 funcionários deixaram a unidade. Naquele período, representantes dos trabalhadores já demonstravam preocupação com a falta de novos pedidos e com a continuidade da fábrica.
Os cortes continuaram até restarem aproximadamente 150 funcionários.
Demissão de outros trabalhadores
A decisão definitiva chegou em julho de 2026.
Depois de aproximadamente 19 anos de operação, o Grupo Dass encerrou as atividades industriais da fábrica de Eldorado e desligou os cerca de 150 trabalhadores que ainda permaneciam no local.
O fechamento marcou o fim da produção de calçados da companhia na Argentina.
Somando apenas os funcionários desligados nos encerramentos definitivos das duas fábricas, aproximadamente 510 trabalhadores foram atingidos: cerca de 360 em Coronel Suárez e outros 150 em Eldorado.
O impacto sobre o emprego, contudo, foi maior quando entram na conta as reduções realizadas anteriormente, especialmente em Eldorado.
Fábrica produzia tênis para marcas famosas
A unidade de Eldorado tinha uma característica que tornou o encerramento ainda mais relevante para a indústria de calçados.
Nos últimos meses de operação, a fábrica produzia tênis para Nike e Adidas.
Além disso, Eldorado era a última unidade que ainda fabricava calçados Nike na Argentina. Dessa forma, o fechamento também encerrou a produção local de tênis da marca naquele mercado.
A Adidas igualmente deixou de contar com a estrutura da Dass no país para fabricar os modelos que saíam daquela unidade.
Isso, entretanto, não significa a saída das duas marcas do mercado argentino. Os produtos continuam sendo comercializados normalmente.
O que mudou foi o local de fabricação.
Fábricas brasileiras ganham espaço
Com o encerramento da produção argentina, as unidades brasileiras da Dass ganharam ainda mais importância dentro da operação regional.
Informações divulgadas pela imprensa argentina apontam que produtos destinados ao país vizinho passaram a ser abastecidos principalmente por fábricas que o Grupo Dass mantém no Brasil.
Assim, tênis que anteriormente eram fabricados dentro da Argentina passaram a chegar ao mercado por meio de importações.
A mudança ocorre justamente em um momento no qual produzir fora do país se tornou mais competitivo para determinadas operações.
Por que a fabricante de calçados fechou as fábricas?
Uma combinação de fatores pressionou as duas unidades.
Entre eles estão a redução das encomendas das grandes marcas esportivas, a queda do consumo e o crescimento da concorrência de produtos importados.
No caso de Eldorado, a redução dos pedidos de Nike e Adidas diminuiu significativamente o volume necessário para manter a estrutura industrial.
Representantes do setor calçadista argentino também relacionaram os problemas ao avanço das importações e ao enfraquecimento da demanda interna.
Já fontes ligadas à empresa trataram a mudança como uma reorganização estratégica das operações, e não como resultado de uma crise financeira do Grupo Dass.
Indústria de calçados
O caso da Dass acontece em meio a um cenário difícil para fabricantes argentinos.
Dados oficiais divulgados pela imprensa local mostraram uma forte retração na fabricação de calçados e componentes durante 2025. Em novembro daquele ano, a queda interanual chegou a 30,9%.
A redução do consumo e a maior entrada de produtos fabricados no exterior aumentaram a pressão sobre empresas que mantinham estruturas industriais no país.
Outras companhias do setor também reduziram operações ou aumentaram a participação de produtos importados.
Fabricante de calçados continuará atuando
Mesmo sem fábricas de calçados, o Grupo Dass não abandonou completamente a Argentina.
A companhia continua presente por meio de atividades comerciais, logísticas, distribuição e importação.
O grupo mantém negócios ligados a marcas como Fila, Umbro e Asics no mercado local.
Portanto, a decisão encerrou especificamente a fabricação industrial de calçados da Dass no país, enquanto outras áreas da companhia seguem funcionando.
Fabricante de calçados mantém fábricas no Brasil
Enquanto encerrou a produção argentina, a Dass mantém uma situação diferente no Brasil.
Em maio de 2026, a própria companhia divulgou uma manifestação para rebater informações de que pretendia fechar fábricas brasileiras e transferir sua produção para o Paraguai.
A empresa afirmou que não existe plano para encerrar as unidades brasileiras e destacou a importância dessas operações para sua estratégia.
O Brasil, inclusive, ganhou peso após o fechamento da última fábrica argentina, já que parte da produção destinada ao mercado vizinho passou a sair das unidades brasileiras.
Fábrica com outra finalidade
O Grupo Dass também possui uma operação no Paraguai, mas a estrutura tem uma finalidade diferente.
Segundo a companhia, a unidade pertence à Dasstex e trabalha exclusivamente com vestuário. A fábrica atende demandas específicas das marcas administradas pelo grupo.
Dessa forma, a operação paraguaia não representa uma simples transferência da fabricação brasileira de tênis para o país vizinho.
Fabricante de calçados continua produzindo milhões
Apesar dos fechamentos, a Dass continua sendo uma fabricante de grande porte.
A companhia informa ter mais de 26 mil funcionários e produzir e comercializar mais de 22 milhões de pares de calçados por ano, além de aproximadamente 15 milhões de peças de vestuário.
Por isso, as decisões tomadas na Argentina representam uma mudança na distribuição geográfica da produção.
Em pouco mais de um ano, porém, a transformação foi significativa.
A Dass fechou Coronel Suárez em janeiro de 2025, com aproximadamente 360 demissões. Em julho de 2026, encerrou Eldorado e desligou os últimos 150 trabalhadores.
Com isso, uma fabricante com mais de 26 mil funcionários fechou duas fábricas, eliminou centenas de postos de trabalho e encerrou sua produção industrial de calçados na Argentina. Ao mesmo tempo, as operações brasileiras passaram a ocupar uma posição ainda mais importante no abastecimento regional.
