Atualmente, mais de 60% da população brasileira está acima do peso, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, divulgados em janeiro. São mais de 128 milhões de pessoas com algum grau de excesso de peso, o que reforça a importância de discutir abertamente a obesidade, a prevenção e o estímulo a hábitos que promovam uma vida saudável.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, um em cada 4 brasileiros apresenta quadro de obesidade. São mais de 53 milhões de pessoas nessa condição em todo o país.
O dia 4 de março é o Dia Mundial da Obesidade, data que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre essa condição, que afeta milhões de pessoas de todas as idades e classes sociais. A obesidade é um fator de risco importante para o desenvolvimento de várias condições, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer.
Esse cenário, tanto no Brasil quanto no mundo, destaca a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para frear o avanço dessa epidemia. O cardiologista Jansem Bonfim, da Cardiodiagnóstico, alerta para o risco da gordura visceral, que se acumula na cavidade abdominal, próxima a órgãos vitais como o fígado, pâncreas e intestino.
Leia também
“Esse tipo de gordura acomete nossos órgãos internos e é a mais perigosa, diretamente implicada em eventos cardíacos como infarto agudo”, explica.
Além dos problemas cardíacos, a obesidade está relacionada a diversas outras questões de saúde.
“O excesso de peso provoca a liberação de substâncias que geram inflamação, comprometendo o funcionamento da superfície interna das artérias e levando a uma tendência de vasoconstrição, um mecanismo do corpo que ajuda a regular a pressão arterial e a temperatura corporal. Além disso, há um aumento do volume sanguíneo circulante, o que provoca sobrecarga de trabalho para o coração. A obesidade também pode levar ao aumento da resistência à insulina, que está relacionada à diabetes e à apneia obstrutiva do sono”, destaca Bonfim.
“A obesidade pode aumentar a chance de desenvolver tanto problemas arteriais quanto problemas venosos. Do ponto de vista arterial, a obesidade está intimamente relacionada com o aumento da resistência dos vasos sanguíneos e com o depósito de gordura no interior das artérias. Isso eleva o risco de aterosclerose e consequentemente de situações como o AVC, complementa o cardiologista.
Como mudar esse quadro?
Para reverter esse cenário, os especialistas afirmam que é essencial unir esforços no âmbito da saúde pública, continuar conscientizando a população e promover mudanças individuais no estilo de vida.
“Os alimentos ultraprocessados são muito prejudiciais e devem ser consumidos com moderação. Entre os mais comuns estão refrigerantes, biscoitos, sorvetes, macarrão instantâneo e salgadinhos de pacote. Esses produtos contêm altos níveis de gordura, açúcar, sódio, conservantes e aditivos, e baixo teor de nutrientes, favorecendo o aumento de peso e o desenvolvimento de doenças crônicas”, alerta a nutricionista Luciana Lube ao TN.