
Uma megaoperação da Polícia Civil prendeu, na manhã desta terça-feira (4), um ex-vereador da Serra e um atuante líder comunitário da cidade. Apoiada pelo Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), a ação investiga participação dessas pessoas em crimes relacionados a grandes terrenos. Além deles, outros quatro suspeitos foram detidos.
A operação – denominada de ‘Granbbing’ – foi realizada em dois bairros da Serra: Pitanga e Manguinhos; no Bairro da Penha, em Vitória, e em Cariacica. O delegado titular do 10º e 12º Distrito Policial da Serra, Josafá da Silva, é quem lidera as investigações.
As acusações são de esbulho possessório (apropriar de um determinado bem através de violência, clandestinidade ou precariedade), milícia particular, porte ilegal de arma de fogo, disparo de arma de fogo e dano material.
Foram presos um ex-vereador da Serra, um atuante líder comunitário, dois policiais militares da reserva e um casal.
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Ao Jornal Tempo Novo, uma fonte da Polícia Civil adiantou que os detidos estariam sendo ouvidos pelo delegado responsável pela operação e seriam liberados com o uso de tornozeleira eletrônica e impedidos de acessar os terrenos alvos dos supostos esbulhos.
Onda de grilagem na Serra
A Serra vem sendo algo de constantes tentativas de grilagem de terras, praticadas por grupos distintos, que às vezes agem em conjunto ou separadamente. Os membros desses grupos se passam por parentes de pessoas de famílias antigas e tradicionais da Serra, já falecidas, alegando serem herdeiros de proprietários de determinados terrenos e reivindicam a propriedade dos mesmos, dizendo que aquele imóvel faz parte de um inventário.
Os imóveis alvo desses grupos estão espalhados por praticamente todo o município. Mas a preferência tem sido por terrenos no Civit I, Civit II, Taquara, Jacaraípe, Bicanga, entre outros. Em muitos casos eles fincam placas informando ser o mesma propriedade particular e chegam ao ponto de colocar nomes e números de telefones dos supostos donos.
Nem o terreno do Correios, na entrada de Laranjeiras (BR 101) escapou da audácia de um desses grupos. Em matéria publicada no portal Tempo Novo, no último dia 22 de maio, foi possível ver uma grande placa fincada no térreo, destacando-o como propriedade particular e proibindo a entrada; justamente ao lado de uma placa do Correios, que indicava ser o mesmo o proprietário do imóvel.