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domingo, 12 de julho de 2020

Estado monitora risco de rompimento em barragem de minério

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

Lama trazida pelo rio Doce para o litoral capixaba no final de 2015. (Foto: Fred Loureiro/Secom/ES)

Localizada nas cabeceiras do rio Doce, a barragem de rejeitos de minérios da Vale localizada na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), está na iminência de estourar. Mesmo se o rompimento acontecer, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) considera prematura a afirmação de que atingirá o rio Doce e, consequentemente, chegar ao Espírito Santo e ao Atlântico, como aconteceu com a barragem da Samarco (Vale + BHP), em Mariana (MG), rompida em novembro de 2015.

Em nota enviada ao TEMPO NOVO no final da tarde da última quarta-feira (22), a Seama argumenta que uma nova contaminação do Doce depende de vários fatores, “principalmente do volume desse rejeito, que, segundo os órgãos mineiros de controle, é bem inferior aos de Brumadinho. A distância do barramento até o rio Doce também seria um obstáculo importante. Essa distância é de aproximadamente 200 km. E no trajeto possível dos rejeitos, ainda existem duas outras barragens de produção de energia elétrica que poderiam contribuir para o impedimento do possível fluxo até o rio Doce”.

No caso do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, ocorrida em janeiro de 2019, e o da Samarco, hidrelétricas não foram capazes de estancar a contaminação. No caso da primeira, a sujeira praticamente matou o rio Paraopeba e segue contaminando o São Francisco. Na segunda, a lama percorreu mais de 600 km no rio Doce até atingir o litoral capixaba. Dali, se espalhou até o sul da Bahia e norte fluminense.

Para efeito de comparação, da barragem de Mariana vazaram 43,7 milhões de m3 de lama. De Brumadinho, 12 milhões de m3 escorreram. A estrutura da barragem Barão de Cocais contém 9,4 milhões de m3.

Na mesma nota, a Seama diz que está monitorando e acompanhando as ações dos órgãos de controle de Minas Gerais e da Vale, atualizando as informações e analisando os impactos, caso ocorra o rompimento da barragem. Disse, ainda, que procedimentos preventivos de contenção e de retiradas da população, que seria impactada, já estão sendo providenciadas pelo Estado vizinho.

No último dia 16 de maio, a Vale afirmou que o deslocamento do talude da mina de Congo Soco estava se deslocando, o que se confirmou no dia seguinte. Segundo a mineradora, esse talude deve desabar até sábado (25). Tal movimentação pode gerar abalo sísmico com potencial para fazer romper a barragem de rejeitos que fica abaixo da estrutura. Por conta da situação, a Agência Nacional de Mineração (ANM) interditou o complexo minerário em 17 de maio.

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