Especialistas apontam os benefícios da alimentação na saúde mental

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verdura legumes Serra
Foto: divulgação

Com a campanha Janeiro Branco reforçando a importância da saúde mental, especialistas alertam que cuidar da mente vai além da terapia e dos remédios: a alimentação desempenha papel essencial no equilíbrio do humor, na memória e na concentração, influenciando diretamente o bem-estar emocional e a produtividade do dia a dia.

De acordo com a médica nutróloga Mariana Comério, o cérebro depende de nutrientes específicos para produzir neurotransmissores como serotonina e dopamina, fundamentais para o bem-estar emocional. “Cerca de 90% da serotonina, por exemplo, é produzida no intestino, e uma dieta desequilibrada pode gerar inflamação, prejudicando o eixo intestino-cérebro e, consequentemente, o humor e a concentração”, explica.

Hábitos alimentares diários e simples, como priorizar frutas, vegetais, proteínas de qualidade e alimentos fermentados, podem gerar impactos significativos na qualidade de vida. “Cuidar da alimentação é cuidar da mente. É um gesto simples, mas que pode melhorar humor, memória, foco e produtividade de forma consistente”, esclarece Mariana.

A nutricionista Letícia Tinoco reforça que uma alimentação rica em proteínas de boa qualidade, como ovos, peixes, carnes, frango, leguminosas e laticínios naturais, fornece aminoácidos essenciais para a produção de neurotransmissores, como triptofano, tirosina e glutamina, substâncias que contribuem para a melhora do humor, a redução da ansiedade, o controle do apetite e a regulação do sono.

“Carboidratos complexos também desempenham um papel importante na estabilidade do humor, pois auxiliam no controle da glicemia e na produção de serotonina. Além disso, frutas e verduras fornecem antioxidantes que protegem o cérebro, enquanto alimentos fermentados contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, fortalecendo a conexão entre intestino e cérebro. De forma geral, mais importante do que um alimento isolado é manter regularidade, variedade e equilíbrio ao longo do dia”.

A médica nutróloga Mariana Comério destaca que, em casos de deficiência comprovada, a reposição nutricional, inclusive por vias injetáveis quando indicada, pode acelerar a recuperação e equilibrar níveis essenciais de nutrientes.

“A reposição via terapias nutricionais injetáveis pode ser uma alternativa eficaz para restaurar de maneira mais rápida vitaminas e minerais fundamentais para o funcionamento cerebral e o equilíbrio emocional. É fundamental, porém, que esse tipo de intervenção seja sempre conduzido por um médico, com avaliação clínica e exames adequados, garantindo segurança e resultados consistentes”, afirma Mariana Comério.

A médica ressaltou, ainda, que para resultados mais consistentes, a nutrição deve ser combinada a hábitos como sono adequado, atividade física regular, manejo do estresse e acompanhamento psicológico, formando um cuidado integral com o corpo e a mente.

“Cada escolha nutricional consciente fortalece o equilíbrio emocional, a clareza mental e a produtividade, tornando-se um pilar essencial da saúde mental. Quando combinada a hábitos saudáveis e acompanhamento médico, a nutrição deixa de ser apenas rotina e se transforma em uma estratégia poderosa para viver com mais bem-estar e qualidade de vida”, conclui a nutróloga Mariana Comério.

Alimentos que contribuem para a promoção da saúde mental

Alimentos proteicos – Ovos, peixes, carnes, frango, leguminosas e laticínios naturais fornecem aminoácidos essenciais para a produção de neurotransmissores como triptofano, tirosina e glutamina. Essas substâncias contribuem para a melhora do humor, a redução da ansiedade, o controle do apetite e a regulação do sono.

Gorduras saudáveis – Azeite de oliva, abacate, castanhas e peixes ricos em ômega-3 auxiliam no bom funcionamento do cérebro, melhorando as funções cognitivas e ajudando a reduzir sintomas de depressão e ansiedade.

Carboidratos saudáveis – Presentes em legumes e tubérculos (batata-doce, mandioca, inhame), cereais integrais (aveia, quinoa, pães integrais) e leguminosas (lentilha, grão-de-bico), contribuem para o controle da glicemia e estimulam a produção de serotonina, neurotransmissor ligado à sensação de bem-estar.

Hábitos alimentares que prejudicam a saúde mental

Pular refeições – Favorece o aumento do cortisol, piora a ansiedade e eleva o risco de episódios de compulsão alimentar.
Consumo excessivo de ultraprocessados e açúcar – Contribui para processos inflamatórios, desequilíbrio da microbiota intestinal e piora do humor.
Excesso de cafeína – Pode intensificar quadros de ansiedade, irritabilidade e provocar alterações no sono.

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Guilherme Marques

Guilherme Marques é jornalista e atua como repórter do Portal Tempo Novo.

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