A missão oficial do Governo do Espírito Santo à China confirmou a instalação de uma fábrica da montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) no Estado. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14) pelo governador Renato Casagrande, após uma série de agendas institucionais e técnicas realizadas no país asiático.
Durante a missão, liderada pelo vice-governador Ricardo Ferraço, foi assinado um termo de compromisso com a GWM para a implantação de uma indústria de produção de veículos no Espírito Santo. Somente em 2025, a montadora já importou mais de 45 mil veículos pelos portos capixabas, reforçando a relação logística estratégica com o Estado.
O anúncio foi feito após uma ligação entre Ferraço e Casagrande, com a participação do fundador da empresa, Jack Wei, tratando diretamente do investimento, que deve fortalecer a economia capixaba, ampliar a geração de empregos e consolidar o Espírito Santo como polo da nova indústria automotiva.
“O vice-governador Ricardo Ferraço está na China e me ligou junto com o fundador da empresa, Jack Wei, para tratar desse investimento que fortalece a economia local, gera oportunidades e ajuda a realizar um sonho antigo dos capixabas”, disse Casagrande nas redes sociais.
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Agenda intensa e diálogo avançado
As expectativas em torno da instalação da fábrica já vinham sendo consideradas altas. Ao longo desta semana, a comitiva capixaba cumpriu uma agenda intensa na China, com visitas técnicas a fábricas, centros de tecnologia, áreas de testes e reuniões institucionais, aprofundando um diálogo que vem sendo construído há anos entre a montadora e o governo estadual.
O cronograma incluiu visitas à unidade da GWM em Xushui, experiências de test drive, reuniões sobre o complexo industrial e encontros em centros de tecnologia e laboratórios de inovação. A programação também envolveu unidades voltadas ao desenvolvimento de veículos elétricos, baterias e soluções em hidrogênio, além de testes off-road e reuniões com executivos da montadora.
Espírito Santo vence disputa pela nova fábrica
O Espírito Santo estava entre os estados que disputavam a segunda fábrica da GWM no Brasil, agora oficialmente confirmada. Entre agosto e setembro do ano passado, executivos da montadora realizaram sobrevoos de helicóptero e visitas técnicas no município de Aracruz, avaliando áreas com potencial logístico e industrial.
A região reúne atrativos como acesso portuário, a futura Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e investimentos estruturantes ligados à plataforma logística ParkLog. Apesar das avaliações já realizadas, ainda não houve anúncio público sobre o local exato da nova planta industrial.
Nesse cenário, outros municípios capixabas permanecem no radar da empresa, entre eles a Serra, que concentra fatores logísticos considerados estratégicos, como proximidade com a capital, acesso facilitado à malha rodoviária e conexão com estruturas portuárias. A cidade também está inserida em projetos estruturantes de logística, como o ParkLog, com ligação prevista ao complexo portuário de Aracruz por meio do Contorno de Jacaraípe (primeira etapa da ES-115), além do acesso pela BR-101 Norte, que passa por obras de duplicação.
A nova unidade deverá ser voltada à produção de veículos mais acessíveis, ampliando a capacidade produtiva da GWM e sua presença no mercado nacional.
Relação logística já consolidada com o Estado
Atualmente, todos os veículos eletrificados da GWM importados da China entram no Brasil pelos portos do Espírito Santo, com destaque para o Porto de Vitória. A operação é realizada em parceria com a Comexport, uma das maiores tradings do país, responsável por cerca de 70% das operações da montadora no Estado.
Dados apresentados em reuniões entre a empresa e o governo estadual indicam que, apenas em 2025, cerca de 13 mil veículos da GWM já passaram pelos portos capixabas, consolidando o Espírito Santo como a principal porta de entrada da marca no Brasil.
Investimentos bilionários no radar
A GWM projeta investir até R$ 10 bilhões no Brasil até 2032. A primeira fase, estimada em R$ 4 bilhões até 2026, envolve a operação e ampliação da fábrica de Iracemápolis, em São Paulo. Já a segunda etapa prevê aportes de aproximadamente R$ 6 bilhões entre 2027 e 2032, com foco na nacionalização de componentes, ampliação da cadeia de fornecedores e desenvolvimento de novos produtos.
A empresa já conta com mais de 110 fornecedores cadastrados no Brasil e integra o programa federal MOVER, que concede incentivos fiscais a montadoras que investem em produção nacional, pesquisa e desenvolvimento.