ES Gás vai expandir rede e preço do gás tende a cair na Serra

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ES Gás promete altos investimentos na Serra. Foto: Pix Fotografia
ES Gás promete altos investimentos na Serra. Crédito: Pix Fotografia

A Serra entrou definitivamente no mapa estratégico da ES Gás, empresa comandada pelo grupo Energisa desde 2023. A empresa, que administra a distribuição de gás natural canalizado no Espírito Santo, vem acelerando os investimentos no município com um plano ousado de expansão e modernização da infraestrutura.

Com a entrada da empresa na ES Gás, uma virada no ritmo de investimentos vem acontecendo nos últimos anos. Entre a criação da distribuidora e a privatização, a empresa havia passado quase uma década com investimentos modestos. Em um ano e meio de nova gestão, já foram aportados no Espírito Santo R$ 126 milhões, com a ampliação de mais de 100 km de rede de distribuição e a conexão de 11 mil novos consumidores, sendo 1.500 somente na Serra.

Segundo o presidente da ES Gás, Fábio Bertollo, a Serra representa hoje um dos principais focos da companhia no estado. “A Serra se destaca como o epicentro do nosso plano de expansão. É uma cidade com forte presença industrial, mas que também está crescendo muito no mercado urbano, e esse mercado estava um pouco esquecido”, afirmou ao Tempo Novo.

E por falar no município, para 2025, a meta é ainda mais ambiciosa: 18 km de novas redes de gás na cidade e 2 mil novos consumidores conectados, com investimento de R$ 11 milhões. Isso representa mais que o dobro da expansão realizada em 2024, quando foram aplicados R$ 8 milhões para instalar 7 km de rede.

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“Estamos indo para regiões urbanas com maior densidade, o que nos permite conectar mais clientes com uma infraestrutura mais enxuta e de menor custo. A ideia é que a obra seja constante, sem grandes picos, garantindo eficiência na mobilização dos parceiros”, explicou Bertollo.

A expansão tem foco em bairros em crescimento, principalmente aqueles com condomínios, seja de casas ou apartamentos. “É um processo que exige articulação com síndicos e moradores, envolve reuniões de condomínio e precisa de um líder local para avançar. Mas, quando o benefício fica claro, o próprio cliente percebe que vale a pena tirar a botija de dentro de casa”, afirmou.

Interiorização e democratização

Fábio Bertollo, presidente da ES Gás. Crédito: Guilherme Marques

O investimento na Serra faz parte de um plano mais amplo de R$ 1 bilhão que será executado até 2029 em todo o estado. O projeto tem como eixos principais a interiorização, com chegada do gás a mais cinco municípios capixabas, além dos 14 que a empresa já atua, e a democratização, que inclui ampliar o uso urbano em cidades já atendidas — caso da Serra.

“A gente precisa garantir que o Espírito Santo tenha uma transição energética segura, competitiva e ampla. E isso passa por levar gás natural com qualidade e regularidade para onde há demanda, inclusive no interior e nos centros urbanos que estavam desassistidos”, destacou o presidente.

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Além de mais econômica, a oferta de gás natural traz ganhos em segurança. O gás canalizado, composto principalmente por metano, dissipa-se mais facilmente no ar, reduzindo o risco de acidentes. “Diferente do GLP (gás de botijão), que se acumula no chão, o gás natural não forma bolsões explosivos. Isso torna o ambiente mais seguro, especialmente em instalações coletivas como condomínios”, pontua Bertollo.

Além da Serra, municípios como Linhares, Guarapari e Vila Velha também são alvos da expansão urbana da ES Gás.

Indústria e diversificação

Mesmo com o crescimento no mercado residencial e comercial, o setor industrial ainda é o carro-chefe da demanda por gás natural na Serra e no estado. A distribuidora já atende 42 indústrias e prevê conectar mais 30 nos próximos anos. O município também se destaca por abrigar um dos dois maiores polos industriais do Espírito Santo, ao lado de Linhares.

Ainda assim, Bertollo reforça que a diversificação de clientes é prioridade: “A distribuidora precisa ser saudável, resiliente. Se ficar concentrada demais na indústria, qualquer oscilação afeta todo o sistema. Por isso estamos expandindo para o comércio, os condomínios, as residências. Esse é o caminho”.

Além disso, há planos em andamento para injeção de biometano, gás renovável derivado de resíduos orgânicos, diretamente na rede. O objetivo é que o gás verde complemente o fornecimento convencional, tornando o sistema ainda mais sustentável.

Foto de Guilherme Marques

Guilherme Marques

Guilherme Marques é jornalista e atua como repórter do Portal Tempo Novo.

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