Delegado não vê indícios e exclui Lei Maria da Penha contra vereador da Serra

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vereador serra

O vereador da Serra, Marlon Fred Oliveira Matos, foi detido na madrugada desta segunda-feira (15) após uma ocorrência registrada em uma residência no bairro Alterosas, onde estavam sua ex-namorada e o atual companheiro dela. O caso ganhou repercussão após a divulgação inicial de um Boletim Unificado (BU) que apontava enquadramento na Lei Maria da Penha, além de vídeos que circularam nas redes sociais mostrando a atuação da Polícia Militar durante a prisão.

No entanto, documentos oficiais expedidos posteriormente pela Polícia Civil do Espírito Santo, assinados pelo delegado Robson Vieira Lima, trazem novos elementos sobre o episódio e alteram o enquadramento jurídico inicialmente divulgado .

Enquadramentos legais definidos pela Polícia Civil

De acordo com o Auto de Qualificação e Interrogatório e a Nota de Culpa, lavrados na Central de Teleflagrante, o vereador não foi enquadrado na Lei Maria da Penha. Conforme a autoridade policial, Marlon Fred foi autuado em flagrante pelos crimes previstos nos artigos 329 (resistência), 331 (desacato) e 129, §12 (lesão corporal) do Código Penal, todos “na forma do artigo 69”, que trata do concurso de crimes .

O documento não registra a concessão de medida protetiva nem aponta caracterização de violência doméstica nos termos da Lei nº 11.340/2006.

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Versão apresentada pelo vereador no interrogatório

Durante o interrogatório, realizado com a presença de advogados, o vereador apresentou sua versão detalhada dos fatos à Polícia Civil. Segundo o relato constante no documento, Marlon Fred afirmou que não reside no imóvel onde ocorreu a confusão, mas que esteve no local após tomar conhecimento de que sua ex-namorada se encontrava na residência acompanhada de outra pessoa.

De acordo com sua narrativa, não houve agressão física contra a ex-companheira, tendo ocorrido apenas uma discussão verbal. O vereador relatou que, após a discussão, a ex-namorada teria entrado na frente da residência e solicitado que ele deixasse o local, momento em que a Polícia Militar foi acionada.

Ainda conforme seu depoimento, com a chegada dos policiais, Marlon Fred afirmou que tentou impedir a entrada da PM na residência, o que teria resultado em sua imobilização. Ele declarou que foi derrubado e contido pelos agentes, alegando ter sofrido lesões durante a ação policial.

O vereador negou ter desferido socos com a intenção de atingir os policiais, afirmando que realizou apenas “força corporal” para tentar se desvencilhar da abordagem, sem a intenção de agredir. Também negou ter ameaçado os militares ou utilizado sua condição de vereador para constrangê-los, embora reconheça que houve exaltação durante a ocorrência .

Fiança e andamento do caso

A Nota de Culpa informa que foi arbitrada fiança no valor de R$ 0 (zero) e que o vereador foi devidamente cientificado de seus direitos constitucionais. O caso seguirá sob apuração por meio de inquérito policial, no qual a versão apresentada pelo vereador será confrontada com os relatos dos policiais militares, testemunhas e demais elementos probatórios .

Atualização em relação às informações iniciais

A divulgação do documento oficial altera o enquadramento jurídico inicialmente informado no Boletim Unificado, que apontava a aplicação da Lei Maria da Penha. O novo registro policial, entretanto, não descaracteriza a prisão em flagrante, mas redefine, neste momento, os crimes atribuídos ao vereador.

O Portal Tempo Novo segue acompanhando o caso e mantém espaço aberto para manifestações de todas as partes envolvidas.

A Polícia Civil informa que o suspeito, de 41 anos, conduzido à Delegacia Regional da Serra, foi autuado em flagrante por resistência, desacato e lesão corporal com o agravante de ter sido praticado contra agente de segurança pública no exercício da função. Após os procedimentos de praxe, ele será encaminhado ao sistema prisional.

Foto de Mari Nascimento

Mari Nascimento

Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 21 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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