O empresário e delator Antonio Carlos Freixo Jr. chamou a atenção do Ministério Público de São Paulo (MPSP) após aparecer como ganhador de 570 prêmios em loterias e casas de apostas, que somaram cerca de R$ 176 milhões entre janeiro de 2020 e junho de 2025. Ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ele é alvo de investigação do Gaeco por suspeita de participar de operações de lavagem de dinheiro.
Conhecido como “Mineiro”, Freixo é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por suspeita de participar de operações de lavagem de dinheiro. O empresário também é delator em investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A movimentação com apostas é um dos elementos analisados pelo Ministério Público na investigação sobre a origem e a circulação de recursos.
Quem é o delator que ganhou 570 vezes na loteria?
Antonio Carlos Freixo Jr. é dono da Entre Investimentos e colaborou com as autoridades em investigações envolvendo o Banco Master. Em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR), Freixo admitiu ter sido um dos responsáveis pela geração de dinheiro em espécie para operações atribuídas a Daniel Vorcaro.
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A Entre Investimentos foi liquidada pelo Banco Central em março, após ser atingida pela Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master.
De acordo com o MPSP, Freixo apareceu como ganhador de 570 prêmios em loterias e casas de apostas no período analisado. Os valores recebidos chegaram a R$ 176 milhões em cinco anos e meio. Para os promotores do Gaeco, o volume das movimentações levantou a hipótese de que prêmios pudessem estar sendo utilizados como parte de uma estrutura para dar aparência legal a recursos de terceiros.
Na representação, os investigadores mencionaram uma possível estruturação financeira envolvendo apostas e premiações.
Qual é a relação de Antonio Freixo com Daniel Vorcaro?
A ligação entre os dois aparece nas investigações sobre o Banco Master. Freixo relatou em sua colaboração com a PGR operações realizadas a pedido de Vorcaro. Um dos assuntos mencionados na delação envolve repasses para um fundo que financiou o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação também considera o papel atribuído a Freixo em operações com dinheiro em espécie.
Uma transferência de R$ 940 mil feita por uma empresa ligada a Freixo para a Wave também foi identificada pelo Ministério Público.
A Wave já havia sido citada em outra investigação do MPSP envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro no contrato entre a casa de apostas Vai de Bet e o Corinthians.
Segundo os investigadores, a empresa estava registrada em nome de um motoboy, embora tenha movimentado milhões de reais.
A Wave também realizou transações com um empresário do futebol mencionado na delação de Antonio Vinicius Gritzbach, delator ligado ao PCC assassinado em novembro de 2024, em frente ao Aeroporto de Guarulhos.
O que a Operação Carbono Oculto investiga?
A nova fase da operação apura suspeitas relacionadas a um esquema de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Freixo é investigado por sua relação com negócios de Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, e Mouhamad Murad, o Primo, apontados como donos das distribuidoras Copape e Aster. As empresas são investigadas por suspeitas de participação em operações que teriam movimentado bilhões de reais.
Também há apurações sobre a participação societária dos empresários em uma refinaria que teve entre seus sócios um traficante internacional de drogas.
Os mandados desta quinta-feira (24) foram solicitados pelo Gaeco e autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva, em São Paulo.
As medidas foram cumpridas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.
A investigação utiliza materiais apreendidos na primeira fase da Operação Carbono Oculto, como contratos, documentos, mensagens e áudios encontrados em celulares e computadores dos investigados.
As suspeitas ainda são investigadas pelas autoridades.