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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Decisão de Trump sobre aço impacta economia da Serra e ES

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A planta da ArcelorMittal Tubarão fica localizada na Serra, perto da divisa com Vitória. Foto: Divulgação/ArcelorMittal

O anúncio do presidente norte americano Donald Trump na última segunda –feira (02) de taxar as importações de aço brasileiro em 25% tem potencial para causar estrago na economia da Serra e do ES. Isto porque a maior indústria instalada na cidade, a ArcelorMittal Tubarão, tem os Estado Unidos como destino relevante de suas exportações de semiacabados de aço. A siderúrgica é a principal produtora de aço instalada no Brasil, cuja produção nacional tinha, em 2016, os EUA como destino de 45% das exportações, segundo o relatório ‘Mineração e Siderurgia’ publicado pelo Bradesco em janeiro de 2019.

Em off, um funcionário ligado à diretoria da ArcelorMittal Tubarão confirmou que a decisão, caso seja efetivada, “afeta bastante” a empresa, que terá que se “virar”. Porém, oficialmente, a ArcelorMittal Tubarão não comenta o caso. Em nota enviada também na segunda- feira, disse que o assunto está sendo tratado setorialmente e aconselhou a reportagem a ouvir o Instituto Aço Brasil.

Por sua vez, o Instituto Aço Brasil divulgou posicionamento onde exprime perplexidade e classifica a medida como “retaliação”. A entidade rebate o governo americano, que acusa o Brasil e a Argentina –outro país prejudicado pela medida – de estarem desvalorizando artificialmente o câmbio para anabolizar exportações.

“O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no País é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o Real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de “compensar” o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países. Por último, tal decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas”, pondera o comunicado do Instituto.

A contenda pegou o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no contrapé, uma vez que o mandatário brasileiro faz questão de se posicionar como um dos aliados mais próximos de Donald Trump.

Por Trump ser considerado aliado e inspiração para Bolsonaro, o anúncio da taxação deixou o governo brasileiro embaraçado. Foto: Divulgação/Agência Brasil/ Kevin Lamarque/Reuters

Em breve nota assinada conjuntamente pelos ministérios das Relações Exteriores, da Economia e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgada também na segunda (02), o Palácio do Planalto diz que trabalhará para defender o interesse comercial do Brasil e que já está em contato com interlocutores em Washington.

É salutar lembrar que desde junho do ano passado as exportações brasileiras já sofrem impactos de outra medida do governo norte americano, que limitou as negociações de aço semiacabado, como placas e bobinas, à média das vendas do período entre 2015 e 2017. São justamente os semiacabados exportados pela AcelorMittal Tubarão através do porto que opera no Complexo Industrial que possui ao lado da Vale entre Serra e Vitória.

Rompimento de barragem e desligamento de forno  

A assessoria de imprensa do Instituto Aço Brasil disse na tarde de ontem (03) que a taxação anunciada por Trump ainda não havia entrado em vigor e estava apurando quando – e se – isso deve se efetivar. Uma vez consolidada, vai somar com outro baque sofrido pela ArcelorMittal Tubarão este ano: o rompimento da barragem de Brumadinho da Vale, em Minas Gerais. Isto porque a tragédia fez rever o protocolo de segurança de dezenas de outras barragens da mineradora, paralisando a extração de minério de ferro em lavras que forneciam matérias primas para o Complexo de Tubarão.

E a Arcelor é dependente do minério de ferro pelotizado pela Vale nas usinas de Tubarão. Tanto que os desdobramentos da redução de produção de minério associados ao desaquecimento da demanda por aço no mercado internacional fizeram a ArcelorMittal Tubarão antecipar em dois meses o desligamento do auto forno 2 em Tubarão, ação inicialmente programada para setembro sob a justificativa de melhorias no controle ambiental do equipamento.

Logo, a Vale também pode sentir, indiretamente, o baque de eventual taxação do aço.

Federação das Indústrias do ES não crê que taxação prospere

Em posicionamento divulgado nesta terça-feira (03), a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) afirma não acreditar que o governo norte americano efetive a taxação de 25% anunciada por Donald Trump. Afirma também que a medida ainda não foi oficializada junto às autoridades brasileiras. Porém admite que, se for efetivada, trará forte impacto ao Estado, destacando que o ES é o 2º maior exportador de aço brasileiro para os Estados Unidos.

A Federação destaca que, em 2018, foram exportadas 1,8 milhão de toneladas de aço do ES para os EUA, o que gerou movimentação de U$ 788 milhões (R$ 3,3 bilhões na cotação de 04/12/19). “Os principais produtos exportados sãoplacas de aço, que são transformadas em laminados a frio pelas siderúrgicas americanas. Posteriormente, esses produtos são utilizados no mercado pelos setores automotivo, bens de capital e linha branca”, diz comunicado da Findes.

“A expectativa é que não haja sobretaxa no valor do produto capixaba exportado para os Estados Unidos, considerando tratar-se de um semiacabado. Se isso ocorresse ocasionaria um aumento de preço do produto final para o consumidor americano”, conclui a Federação.

Gigante da cidade e estado   

Um estudo publicado em 2017 encomendado pela própria ArcelorMittal Tubarão junto à pesquisadores da UFES, mostra o gigantismo da empresa na Serra e Estado. Segundo o documento. Em 2016, a produção na siderúrgica correspondia a 12,68 % do PIB do ES.  No mesmo ano, ela possuía 5.379 empregados próprios e cerca de 6 mil terceirizados, totalizando aproximadamente 11 mil empregos diretos.

Na média entre 2004 e 2016, a ArcelorMittal gerou 2,5% da receita da Serra com ISSQN e IPTU, um recolhimento médio de R$ 3 milhões anuais. É bom ressaltar que, embora tenha endereço da cidade, a tributação sobre a unidade de Tubarão é repartida igualmente com Vitória. E o porto de Praia Mole usado pela empresa para exportação das placas de aço é 100% tributado para a capital capixaba.

Em 2014, a receita bruta da empresa correspondia a 56,7% do PIB da Serra. Em 2016 a ArcelorMittal era a maior produtora de aço bruto do país, com 22,5% de parcela da produção nacional.

Rede de fornecedores

A ArcelorMittal Tubarão também possui extensa rede de fornecedores e prestadores de serviço na Serra e cidades vizinhas. Segundo o estudo da UFES, do total geral de compras de R$ 9,1 bilhões da siderúrgica em 2016, cerca de R$ 4 bilhões foram de fornecedores instalados no Espírito Santo.

 

 

 

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