A Serra esteve entre os principais alvos da Operação “Castelo de Areia”, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo, que desarticulou uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, agiotagem, fraudes financeiras e estelionato. A ação resultou no bloqueio judicial de até R$ 70 milhões, além da apreensão de veículos de luxo, armas, dinheiro, jóias e vasto material documental.
Coordenada pela Superintendência de Polícia Especializada, com atuação do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) e do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), a operação cumpriu dois mandados de prisão e 20 mandados de busca e apreensão na Serra e em outros municípios do Espírito Santo como Baixo Guandu, Colatina, Cariacica, Vila Velha e Guarapari, além de Aimorés (MG).
Criminoso migrou da violência para fraudes
Segundo o Tempo Novo apurou, o principal alvo da investigação é Bruno Soares Mendonça, de 37 anos, conhecido como “Leite Ninho”, apontado como criminoso de altíssima periculosidade. Segundo a Polícia Civil, ele iniciou sua trajetória em crimes violentos, como roubo a bancos e roubo de cargas, e passou a atuar em fraudes financeiras e lavagem de capitais, consideradas mais lucrativas e menos arriscadas.
A companheira dele, Bárbara Alves Poege, de 34 anos, também é investigada por participação direta no esquema, utilizando empresas de fachada para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita.
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Patrimônio incompatível e empresas fictícias

As investigações começaram em 2024, após o LAB-LD identificar movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada do casal. Bruno não possuía atividade lícita comprovada e utilizava CNPJs de fachada, alguns com indícios de uso de identidade falsa.
Entre os bens identificados estavam imóveis em condomínios de alto padrão, inclusive na Grande Vitória, e veículos de luxo, como uma BMW X4 e uma SW4 blindada. Um dos carros, avaliado em cerca de R$ 400 mil, estava registrado em nome de uma suposta empresa de estética que nunca apresentou funcionamento real.
Bloqueio milionário e apreensões
Com base na soma das transações suspeitas realizadas entre 2018 e 2024, a Polícia Civil representou ao Judiciário pelo bloqueio de até R$ 70 milhões. O valor corresponde à movimentação considerada atípica e ainda depende da resposta das instituições financeiras para a confirmação do montante efetivamente bloqueado.
Durante a operação, foram apreendidos:
- Sete veículos, incluindo carros de luxo e um blindado;
- Dois imóveis de alto padrão;
- Três armas de fogo, munições de diversos calibres e carregadores;
- R$ 42.300 em espécie;
- Joias, celulares, computadores e documentos financeiros.
Agiotagem, fraudes e desmonte de veículos
A organização também atuava com agiotagem, exigindo imóveis e veículos como garantia, além de fraudes contra seguradoras, com simulação de roubos e furtos de veículos de alto valor. Parte dos automóveis era desmontada ou adulterada, com ligação a ferros-velhos investigados.
Em Colatina, a polícia encontrou um verdadeiro escritório clandestino de agiotagem, com mais de 1.500 notas promissórias, cheques de alto valor e documentos que indicam cerca de R$ 8 milhões em empréstimos ilegais apenas naquele núcleo.
Estratégia de asfixia financeira

De acordo com a Polícia Civil, a Operação “Castelo de Areia” marca uma virada estratégica no combate ao crime organizado, com foco em atingir o patrimônio e inviabilizar financeiramente organizações criminosas.
O inquérito foi instaurado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, mas novas imputações, como falsidade ideológica e estelionato, podem ser acrescentadas conforme a análise do material apreendido avance.
A operação mobilizou cerca de 50 policiais civis e teve apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), devido ao histórico de violência do principal investigado.