Currículos digitais ainda geram recusas em Sergipe: porque PDFs mal feitos atrapalham vagas

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Apesar da preferência tradicional por currículos em PDF por parte de muitos empregadores, essa preferência só se confirma quando o documento é preparado de forma compatível com sistemas e práticas digitais modernas. Crédito: Pexels

No contexto atual do mercado de trabalho em Sergipe e no Brasil, a simples redução da taxa de desemprego, 7,9 % no estado em 2025, a menor da série histórica da PNAD Contínua do IBGE, não garante que candidatos consigam vagas com facilidade, sobretudo quando currículos digitais mal preparados são parte do problema. Um dos fatores menos discutidos, mas com impacto direto na triagem de candidaturas, é a forma como o documento é preparado e entregue, especialmente em PDF.

O papel do currículo digital no processo seletivo

Como o mercado digitaliza a seleção de candidatos

A digitalização de recrutamento e seleção passou a incorporar tecnologias automatizadas, como sistemas de rastreamento de candidatos (ATS, do inglês Applicant Tracking Systems), que analisam, ordenam e filtram currículos antes de qualquer revisão humana. Esses sistemas dependem de textos legíveis e estrutura padronizada para identificar competências, palavras-chave e experiências relevantes.

Apesar da preferência tradicional por currículos em PDF por parte de muitos empregadores, essa preferência só se confirma quando o documento é preparado de forma compatível com sistemas e práticas digitais modernas.

PDFs que barram candidaturas mesmo quando o desemprego cai

Segundo relatórios recentes sobre recrutamento global, um percentual elevado de currículos falha em passar por ferramentas automatizadas antes de chegar a um recrutador humano. Em estudos internacionais, até 75 % dos currículos são filtrados por sistemas ATS antes da leitura humana — muitas vezes por falta de formatação adequada, falhas no reconhecimento de texto ou ausência de correspondência com critérios de busca. Mesmo não se tratando de dados específicos do Brasil, esse padrão tecnológico global se reflete nas práticas de RH brasileiras.

Por que currículos em PDF são preferidos — e também rejeitados?

Motivo de preferênciaMotivo de rejeição
Mantém formatação fixa independentemente do sistema operacionalATS pode não conseguir extrair texto de PDFs gerados como imagem
Padronização visual para revisores humanosFormatos com colunas, tabelas ou gráficos podem quebrar o parse automático
Evita alteração não autorizada da apresentaçãoFonts não-padrão ou elementos decorativos prejudicam leitura automatizada

Essa dualidade mostra que o formato PDF não é, por si só, uma garantia de sucesso, ele precisa ser produzido com critérios que passem por sistemas automáticos e humanos sem perdas de informação relevantes. Por exemplo, PDFs com texto convertido em imagem (como escaneamentos) podem ser ininteligíveis para ATS e levar à eliminação automática da candidatura antes que um revisor humano avalie o conteúdo.

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Para simplificar: não é a extensão que importa, é a preparação

Especialistas em recrutamento destacam que sistemas automatizados analisam currículos de forma algorítmica, transformando arquivos em texto plano antes de qualquer ranking de candidaturas. Isso significa que formatos complexos em PDF podem ser lidos de forma incorreta, colocando candidatos qualificados em desvantagem. O principal ponto de falha é o parse, onde o documento é convertido para um formato que o algoritmo entende. Se partes essenciais, como títulos de experiência, habilidades ou informações de contato,  não forem bem interpretadas, o algoritmo pode classificar a candidatura como irrelevante.

Principais causas de rejeição de currículos digitais

Falhas de formatação

Currículos com uso de tabelas, múltiplas colunas, caixas de texto ou elementos visuais sofisticados podem confundir algoritmos de leitura. Sistemas automatizados costumam esperar blocos de texto claros e seções bem intituladas para organizar e avaliar o conteúdo.

Ausência de palavras-chave relevantes

Quando o currículo não reflete as palavras-chave que o empregador define no anúncio, por exemplo, termos técnicos ou nomes de competências, os filtros automáticos tendem a classificar a candidatura como não alinhada, mesmo quando o candidato tem competências pertinentes.

PDF gerado como imagem

PDFs exportados a partir de ferramentas que convertem o conteúdo em imagem (como certos templates visuais ou escaneamentos) impedem que o texto seja indexado, levando à eliminação automática do documento pelo ATS.

Melhores práticas para evitar recusa por formato

Criar um currículo digital que passe pelas fases automáticas e chegue ao olhar humano requer cuidado técnico e editorial. A seguir, práticas recomendadas com base em estudos de recrutamento:

Estrutura clara e linear

Use seções com títulos padrões como Experiência profissional, Formação e Habilidades. Evite colunas laterais e caixas de texto soltas.

Texto base e legível

Assegure que o PDF contém texto real, não imagens. Isso facilita a leitura por algoritmos e melhora a indexação do conteúdo.

Palavras-chave específicas

Incorpore termos e nomenclaturas que o anúncio da vaga usa, adaptando o currículo para cada candidatura. Essa correspondência aumenta a chance de o documento ser reconhecido como relevante.

Testes de compatibilidade

Ferramentas online permitem verificar como sistemas automatizados interpretam seu currículo. Testar versões em texto simples pode revelar potenciais falhas antes de enviar sua candidatura.

Num cenário competitivo como o atual, mesmo com baixa taxa de desemprego em Sergipe,  detalhes técnicos na elaboração de documentos podem fazer a diferença entre uma candidatura lida ou descartada.

Como utilizar o PDF para se destacar

Para maximizar chances de contratação, é crucial que candidatos entendam e apliquem boas práticas no uso profissional de arquivos PDF, alinhando clareza visual a critérios de leitura automatizada. Ferramentas modernas permitem criar currículos em PDF com texto acessível e estrutura amigável a ATS, sem sacrificar a apresentação estética.

A taxa de desemprego em Sergipe e no Brasil está em níveis historicamente baixos, mas muitos candidatos continuam enfrentando barreiras na transição de candidaturas para entrevistas. Currículos digitais mal feitos são um desses obstáculos, especialmente quando sistemas automatizados de triagem filtram e distorcem o conteúdo antes que um recrutador humano o veja. Produzir currículos em PDF com formatação simples, texto legível e palavras-chave alinhadas às exigências da vaga é uma estratégia que pode reduzir recusas injustificadas. Ainda assim, a falta de dados oficiais específicos de Sergipe sobre rejeições por formato mostra que mais pesquisa local é necessária para quantificar esse impacto com precisão. Em termos práticos, candidatos e profissionais de RH podem se beneficiar de ferramentas e metodologias que aproximem a apresentação curricular das exigências técnicas dos processos seletivos contemporâneos.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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