Combinação de medicamentos elimina câncer de pâncreas em testes, diz estudo

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Pesquisadores espanhóis anunciaram um avanço no combate ao câncer de pâncreas, uma das neoplasias mais agressivas e letais. Crédito: Agência Brasil

Pesquisadores espanhóis anunciaram um avanço no combate ao câncer de pâncreas, uma das neoplasias mais agressivas e letais. Em um estudo publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), uma combinação de três medicamentos conseguiu eliminar tumores pancreáticos em animais, sem que houvesse retorno da doença durante o período de observação.

O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, reforça a necessidade contínua de investimento em estudos que enfrentem os tumores mais agressivos, como o pancreático.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO). A pesquisa utilizou camundongos com câncer de pâncreas, principalmente do tipo adenocarcinoma ductal, responsável pela maioria dos casos em humanos. O resultado mostrou que os tumores desapareceram em poucas semanas após a administração da terapia combinada.

Mesmo depois de mais de 200 dias sem tratamento, os animais permaneceram livres do câncer, sem sinais de toxicidade grave atribuída à terapia.

A estratégia dos pesquisadores foi atacar o tumor em três frentes diferentes, interrompendo várias vias moleculares que permitem à célula cancerígena crescer e sobreviver. O regime experimental incluiu: um inibidor direcionado ao oncogene KRAS, uma mutação presente em grande parte dos cânceres pancreáticos e considerada um dos principais impulsionadores da doença; medicamentos que bloqueiam as proteínas EGFR e STAT3, envolvidas em sinais que favorecem a proliferação e resistência das células tumorais.

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Ao combinar essas ações, os cientistas conseguiram não apenas promover a regressão completa dos tumores, mas também impedir que eles desenvolvessem mecanismos de resistência, um dos maiores obstáculos no tratamento do câncer de pâncreas.

Para a médica oncologista Virgínia Altoé Sessa, do Hospital Santa Rita, o estudo representa um avanço relevante no campo da pesquisa oncológica, embora ainda esteja em fase inicial.

“O câncer de pâncreas é um dos tumores mais desafiadores da oncologia. Resultados como esses, mesmo em modelos animais, são animadores porque mostram que atacar diferentes vias do tumor ao mesmo tempo pode ser uma estratégia promissora no futuro”, avalia.

Embora os resultados sejam considerados positivos, especialistas alertam que ainda há um longo caminho até que essa terapia possa ser testada em humanos. Segundo Virgínia Altoé Sessa, a descoberta reforça a importância do investimento contínuo em ciência.

“Avanços como esse mostram que a pesquisa é fundamental para mudar o cenário de doenças com prognóstico tão difícil. Ainda não é um tratamento disponível, mas é um passo importante que traz esperança para muitos pacientes que vivem com câncer pancreático”, ´disse a médica ao TN.

No Brasil, embora esse câncer seja considerado uma neoplasia de baixa incidência, está entre os que apresentam maior letalidade. Recentemente, a doença ganhou visibilidade por afetar algumas personalidades conhecidas, como o chef e apresentador Edu Guedes e o músico dos Titãs Tony Bellotto. Ambos seguem em tratamento.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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