Cigarro, bebida alcoólica e má higiene bucal são os principais vilões do câncer de cabeça e pescoço

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câncer cabeça pescoço
A ciência já comprovou a associação, especialmente do tabagismo, com casos de câncer na região da cabeça e do pescoço. Crédito: Reprodução

Tomar atitudes para prevenção de um câncer é sempre melhor do que tratar a doença depois de já instalada. E, quando se fala nos tumores de cabeça e pescoço, hábitos que envolvem evitar o cigarro, o consumo de bebida alcoólica e a manutenção da higiene bucal são peças-chave para reduzir os riscos.

A ciência já comprovou a associação, especialmente do tabagismo, com casos de câncer na região da cabeça e do pescoço. A fumaça tóxica dos cigarros, contendo dezenas de substâncias comprovadamente cancerígenas, entra em contato direto com as mucosas da boca e da laringe, aumentando a predisposição para o desenvolvimento da doença.

O Inca informa que, no Brasil, anualmente, são realizados cerca de 15 mil novos diagnósticos de câncer de boca e 7800 de câncer de laringe.

“Apenas o hábito de fumar, mesmo que a pessoa não consuma álcool e mantenha uma boa higiene bucal, é o mais nocivo para a saúde da cabeça e do pescoço e aumenta em 10 vezes o risco de desenvolvimento de cânceres na região. Isso inclui também os cigarros eletrônicos, que não são mais suaves do cigarro tradicional, como muita gente acredita”, explica o cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero de Sá, do Instituto Tireoide ao TN.

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As bebidas alcoólicas também aumentam o risco de desenvolvimento de tumores, especialmente da cavidade bucal e na laringe. “O álcool pode danificar o DNA das células por meio da forma como ele é metabolizado no organismo, quando libera uma substância chamada acetaldeído, que pode reduzir as defesas do corpo humano. Não existe quantidade segura para o consumo, mesmo a ingestão chamada de ‘social’ pelas pessoas já pode induzir a esse risco”, alerta o médico.

Saúde bucal

Maus hábitos de higiene bucal podem resultar em problemas que vão além do mau hálito ou das cáries. A falta de consistência na escovação e na passagem do fio dental também pode causar uma predisposição maior ao câncer da cavidade bucal, como explica a dentista Beatriz Coutens.

“Os estudos indicam que o acúmulo de resíduos de alimentos na boca pode favorecer o surgimento das nitrosaminas, substâncias com potencial oncogênico, ou seja, potencial de induzir a mutações das células, que é o mecanismo que pode levar ao surgimento do câncer”, afirma.

Por isso são tão importantes as recomendações de realizar a escovação após as refeições e fazer uso diário do fio dental. Além disso, a consulta frequente com o dentista também é importante.

“A importância da visita regular ao dentista, a cada seis meses, vai além da realização da limpeza e remoção do tártaro. O dentista, em avaliação, poderá observar o surgimento de eventuais lesões que mereçam ser melhor investigadas, favorecendo o diagnóstico precoce do câncer bucal, o que torna o tratamento menos agressivo”, argumenta Coutens.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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