O câncer de pâncreas, historicamente mais associado à população acima dos 55 anos, tem apresentado crescimento entre pacientes mais jovens, segundo estudos recentes internacionais. A tendência preocupa especialistas por envolver um dos tumores mais agressivos e silenciosos da oncologia.
Uma pesquisa publicada na revista científica JCO Global Oncology, desenvolvida por pesquisadores do Brasil e do Canadá a partir de dados de 204 países, aponta que tanto a incidência quanto a mortalidade por câncer de pâncreas precoce devem crescer nas próximas décadas.
De acordo com a médica oncologista Virgínia Altoé Sessa, do Hospital Santa Rita, embora o envelhecimento ainda seja um dos principais fatores de risco para a doença, mudanças no estilo de vida vêm contribuindo para o aumento de diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos.
“Obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e alimentação rica em ultraprocessados estão entre os fatores que ajudam a explicar esse crescimento entre pacientes mais novos”, afirma.
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A oncologista destaca que um dos maiores desafios da doença é justamente seu comportamento silencioso. Em muitos casos, o tumor não apresenta sintomas nos estágios iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce e reduz as chances de tratamento curativo.
“Os sinais costumam aparecer quando a doença já está mais avançada. Dor abdominal que irradia para as costas, perda de peso sem explicação, náuseas, falta de apetite e pele amarelada são alguns sintomas que merecem investigação médica”, explica Virgínia.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar mais de 13 mil novos casos anuais da doença entre 2026 e 2028.
A médica reforça que pessoas com histórico familiar da doença, mutações genéticas associadas ao câncer, diabetes tipo 2 de início recente e hábitos de vida considerados de risco devem manter acompanhamento regular e atenção aos sinais do organismo.
Apesar do cenário preocupante, a oncologia também avança em novas estratégias terapêuticas. Tratamentos-alvo e medicamentos voltados para mutações genéticas específicas vêm ampliando as possibilidades de abordagem clínica nos últimos anos.
“Hoje já existem terapias mais personalizadas e pesquisas promissoras em andamento. Quanto mais cedo conseguimos identificar a doença, maiores são as chances de controle e melhor resposta ao tratamento”, conclui a oncologista Virgínia Altoé Sessa.

