O desfecho do caso Daiane, em Caldas Novas, marca o fim de um processo judicial, mas não encerra as perguntas, os silêncios e os atravessamentos emocionais que ele deixa na sociedade. Quando um caso assim chega ao seu ponto final nos tribunais, algo em nós também é convocado a refletir: o que aprendemos enquanto comunidade? O que muda ou não depois que a Justiça fala?
Há uma diferença importante entre o encerramento legal de um caso e o fechamento simbólico de uma dor. Para famílias, amigos e para tantas mulheres que acompanham esse tipo de notícia com o corpo em alerta, o desfecho não traz necessariamente alívio. Muitas vezes, ele traz frustração, sensação de impotência ou um vazio difícil de nomear. A lei cumpre seu papel, mas a experiência humana segue aberta.
Casos como o de Daiane não dizem respeito apenas aos envolvidos diretos. Eles nos confrontam com questões mais amplas: como escutamos as mulheres? Como lidamos com a violência quando ela deixa de ser estatística e ganha nome, rosto e história? Que tipo de sociedade estamos construindo quando o fim de um processo não vem acompanhado de um sentimento coletivo de cuidado, responsabilização e prevenção?
É preciso lembrar que justiça não é apenas punição. Justiça também é memória, é reconhecimento da dor, é compromisso com a não repetição. Quando um caso se encerra sem que isso se transforme em reflexão social, corremos o risco de naturalizar o inaceitável e seguir adiante como se nada tivesse acontecido.
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Que o desfecho do caso Daiane não seja apenas uma notícia arquivada, mas um convite à responsabilidade coletiva. Que possamos transformar indignação em consciência, e consciência em mudança. Porque enquanto a Justiça formal pode se encerrar, o cuidado com a vida precisa continuar sendo uma tarefa diária de todos nós.

