A televisão brasileira se prepara para um novo embate de audiência e formatos em 2026. Boninho, o “Big Boss” que por décadas ditou as regras do gênero no país, vai comandar “Casa do Patrão”. O novo reality show será exibido na Record, com estreia confirmada para o dia 27 de abril, às 22h30, e promete levar ao extremo o conceito de meritocracia e hierarquia social.
Como vai ser a Casa do Patrão na Record?
Casa do Patrão será disputado exclusivamente por participantes anônimos e contará com uma estrutura dividida em três níveis de conforto. A proposta é espelhar as disparidades do cotidiano brasileiro dentro de um ambiente de confinamento. O coração do jogo está na arquitetura da convivência. Diferente de outros formatos onde todos dividem o mesmo teto, “A Casa do Patrão” segrega os competidores de acordo com o desempenho em provas:
- A Casa do Patrão: o ápice do luxo. Ocupada pelo líder da semana (o Patrão), oferece suítes privativas, cardápio premium e poder de decisão sobre a rotina alheia.
- A Casa do Trampo: onde a realidade bate à porta. Sem regalias, os moradores deste núcleo são responsáveis pelas tarefas pesadas e manutenção do complexo.
- A Casa da Convivência: um terreno neutro voltado para votações e interações obrigatórias, onde o clima de tensão entre as “classes” deve atingir o pico.
“O patrão vai ser o cara que tomará conta da casa e uma galera trabalhará para ele. Se quiser cair na piscina ou malhar, terá que pedir permissão. É como a vida real”, explicou Boninho para a Record.
Um dos pontos mais polêmicos revelados pelo diretor é a gestão do prêmio. Ao contrário do modelo tradicional, onde o valor é fixo e entregue apenas ao final, os participantes já entram no jogo com um patrimônio individual em dinheiro real.
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A estratégia de sobrevivência ganha contornos dramáticos com a regra da eliminação: o competidor que deixar o programa perde 90% do seu valor acumulado. Esse montante não volta para os cofres da emissora, mas é transferido diretamente para a conta do “Patrão” da rodada, tornando a liderança não apenas um posto de prestígio, mas uma oportunidade de enriquecimento direto durante o programa.
Leandro Hassum vai apresentar Casa do Patrão
Para conduzir essa sátira social em formato de entretenimento, a Record escalou Leandro Hassum. O ator e comediante, que já protagonizou vídeos de divulgação bem-humorados mostrando sua “adaptação” à nova emissora, terá a missão de equilibrar o tom crítico do programa com a leveza necessária para o horário nobre.
“Apresentar a Casa do Patrão ao lado do Boninho é um privilégio. Vamos observar o comportamento humano sob pressão, mas com aquele olhar que o brasileiro gosta”, afirmou Hassum. O programa terá exibição simultânea na Record e no streaming Disney+.
Ícone da comédia brasileira, Leandro Hassum consolidou sua carreira em programas como Os Caras de Pau. Nos últimos anos, sua trajetória pessoal também ganhou destaque após uma cirurgia bariátrica que resultou na perda de mais de 60 kg, transformando sua imagem e estilo de vida.
Com passagens pelo cinema internacional e sucessos no streaming, Hassum volta à TV aberta com a responsabilidade de ser o rosto de uma das maiores apostas financeiras da Record dos últimos anos.
Quem é Boninho
José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho, vive um momento de reinvenção. Após deixar a Globo no final de 2024, encerrando um ciclo de mais de 40 anos, sua trajetória recente foi marcada por altos e baixos.
Embora seja o responsável pelo fenômeno de faturamento e audiência que se tornou o Big Brother Brasil, o diretor enfrentou críticas em seus últimos anos na emissora carioca por projetos que não repetiram o mesmo sucesso, como o Casa Kalimann e o Zig Zag Arena, apresentado por Fernanda Gentil. Agora, na Record, ele busca provar que sua capacidade de criar “fábricas de conversas” permanece intacta, apostando em um formato que dispensa celebridades em favor de anônimos com sede de poder.
O que esperar da estreia?
As inscrições para o reality mostraram o apetite do público: metade das vagas foi preenchida em menos de 24 horas após a abertura, segundo informou a emissora. A produção busca perfis estrategistas e com forte inteligência emocional, já que a convivência será pautada pela subordinação.
O público, como de costume, terá a palavra final nas eliminações, mas a dinâmica interna promete ser a mais rígida já vista em programas do gênero no Brasil. Resta saber se o telespectador abraçará a simulação de “patrões e empregados” ou se o espelho da realidade se mostrará incômodo demais para as noites de terça e quinta.