Cariacica deve ultrapassar Vitória e virar a 2ª economia do ES em 2026, aponta projeção

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Vista aérea de Cariacica, município que pode se tornar a segunda maior economia do Espírito Santo em 2026, segundo projeções econômicas. Crédito: divulgação.

Cariacica pode viver um momento histórico na economia capixaba em 2026. Projeções econômicas indicam que o município pode alcançar um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 32,8 bilhões neste ano, o que colocaria a cidade como a segunda maior economia do Espírito Santo.

Os dados foram apresentados pelo pesquisador Pablo Lira, presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), em análise publicada sobre o desempenho econômico dos municípios capixabas.

Caso as projeções se confirmem, Cariacica deve ultrapassar Vitória, que tem PIB estimado/projetado em R$ 32,2 bilhões para o mesmo período.

Serra segue na liderança econômica

Mesmo com o crescimento projetado de Cariacica, a Serra deve continuar liderando a economia capixaba, com PIB estimado em R$ 52,2 bilhões em 2026.

O município concentra grandes polos industriais, logísticos e comerciais, consolidando-se como a principal força econômica do Estado.

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Crescimento recente chama atenção

Segundo a análise econômica, Cariacica apresentou o maior crescimento recente entre os principais municípios capixabas, o que explica o avanço nas projeções de PIB.

Entre os fatores que impulsionam esse desempenho estão:

  • localização estratégica na Região Metropolitana
  • fortalecimento da infraestrutura logística
  • atração de novos investimentos
  • integração econômica com municípios vizinhos

Logística e integração metropolitana impulsionam a cidade

A posição geográfica de Cariacica tem sido um dos principais motores do crescimento econômico.

O município funciona como um importante eixo logístico da Grande Vitória, conectando rodovias, centros de distribuição e corredores industriais. É um dos poucos municípios cortados por duas BRs, a 101 e a 262, que interligam a Grande Vitória à região serrana do Espírito Santo.

Além disso, iniciativas de desenvolvimento e a articulação com o governo estadual têm contribuído para fortalecer a dinâmica econômica da cidade.

O mapa econômico do Espírito Santo já vem mudando há anos

Se o cenário projetado se confirmar, será mais um indicador concreto da perda progressiva de protagonismo econômico da capital. Esse movimento pode estar relacionado ao processo de ocupação urbana de Vitória, que já apresenta sinais de esgotamento, além da dinamização e interiorização dos investimentos públicos e privados.

Esse cálculo já vinha sendo apontado desde o início do milênio, quando se observou a vetorização da economia para o município da Serra e, nos últimos anos, o avanço desse movimento para outras regiões do Espírito Santo.

No Brasil, não é comum que a capital de um estado deixe de ser a maior economia; e menos ainda que ocupe apenas a terceira posição. Esse cenário evidencia características bastante particulares da dinâmica econômica capixaba.

Atualmente, o litoral sul do Espírito Santo experimenta um novo ciclo de crescimento econômico, impulsionado pela retomada das atividades da Samarco e pela força da economia do petróleo.

Já no centro-norte do estado, municípios como Aracruz e Linhares vivem um forte desenvolvimento econômico baseado na indústria e na expansão de complexos logísticos, especialmente portuários. Ao mesmo tempo, a agricultura segue em expansão em diversas outras regiões capixabas.

Na Grande Vitória, o crescimento de Cariacica acompanha esse processo de desconcentração econômica. Durante décadas, a economia ficou fortemente concentrada na Serra, especialmente após a construção do Porto de Tubarão, na década de 1960, e a instalação da ArcelorMittal (antiga CST) nos anos 1980. Agora, esse dinamismo se espalha para outros municípios da região metropolitana, como Cariacica e Viana.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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