A suspeita de envenenamento de uma cadela dentro de um conjunto habitacional de luxo está sendo investigada pela Polícia Civil do Espírito Santo. O caso ocorreu no Boulevard Lagoa, no dia 7 de dezembro de 2025, e foi registrado como crime contra a fauna na Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente.
Um laudo de necropsia aponta que o animal morreu em decorrência de choque circulatório associado à intoxicação exógena, o que reforça a linha de investigação de envenenamento.
O caso
A cadela Lilica, da raça Chihuahua, de quatro anos, vivia com a tutora (que não será identificada) em uma residência localizada no conjunto habitacional. Segundo o relato prestado à polícia, no fim da tarde do dia 7 de dezembro, o animal foi solto no quintal da casa e, pouco tempo depois, passou a apresentar salivação excessiva e espuma pela boca.
Lilica recebeu os primeiros atendimentos veterinários e chegou a apresentar melhora do quadro clínico. No entanto, durante a madrugada, o estado de saúde piorou, com registro de hipotermia (33 °C), tremores e hipoglicemia. O animal foi levado a um hospital veterinário, permaneceu internado por dois dias, mas não resistiu.
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O que aponta o laudo
De acordo com o laudo veterinário, a qual a reportagem teve acesso, os exames post-mortem identificaram necrose e hemorragia acentuada das glândulas adrenais, além de lesões cerebrais, como edema e necrose neuronal. Também foram observadas hemorragias em múltiplos órgãos, alterações consideradas compatíveis com a ação de substâncias químicas tóxicas, como o chumbinho, por exemplo.
O documento aponta que o conjunto dos achados é compatível com intoxicação exógena, quadro frequentemente associado a envenenamento. O material biológico do animal foi preservado pelo laboratório responsável e deverá passar por exame toxicológico, que pode identificar a substância utilizada.
Relatos de outros envenenamentos
A tutora do animal relatou que outros episódios semelhantes já teriam ocorrido no mesmo setor do empreendimento. Segundo os relatos, ao menos três gatos teriam sido encontrados mortos, com suspeita de envenenamento, na mesma área onde o caso da cadela foi registrado.
As informações foram compartilhadas entre moradores e levadas ao conhecimento da administração do condomínio.
Após a conclusão do laudo, os responsáveis pelo animal notificaram formalmente a administração do condomínio, solicitando acesso e preservação das imagens das câmeras de segurança do entorno da residência no dia do ocorrido, além da identificação de prestadores de serviço que atuaram no local naquela data.
Na notificação, os moradores também alertam para o risco à saúde de crianças e demais residentes, diante da possível circulação de substâncias tóxicas em uma área residencial.
Resposta da Administração do BL
Em resposta, a administração do Boulevard Lagoa informou que não recebeu comunicação formal do caso até o momento, afirmando que, para abertura de apuração interna, é necessária a apresentação de laudos veterinários que comprovem a causa da morte.
A administração também destacou que, diante da morte de animais, é necessário apresentar laudo veterinário que ateste a presença de substância tóxica e a causa da morte, ressaltando que nem todos os casos podem ser atribuídos a envenenamento. Ainda de acordo com o condomínio, há situações em que tutores não mantêm a vacinação dos animais em dia ou permitem que circulem por áreas externas, como ruas e matas.
Por fim, o condomínio informou que promove anualmente ações ambientais, como semana ecológica, campanhas educativas, doação de animais e vacinação, e reforçou que qualquer ocorrência deve ser formalmente comunicada à administração, acompanhada dos laudos necessários, para que possa ser apurada.
Investigação policial
O caso foi registrado por meio de Boletim de Ocorrência, lavrado na Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente, em Vila Velha. A Polícia Civil informou no B.O que a ocorrência segue em apuração e que os documentos apresentados, incluindo laudos veterinários e registros fotográficos, serão analisados no curso da investigação.
Crime ambiental
Maus-tratos contra animais, quando resultam em morte, configuram crime ambiental previsto na Lei nº 9.605/1998, com penas que incluem reclusão e multa. A responsabilização pode alcançar tanto o autor direto do ato quanto eventuais responsáveis por omissão, a depender do resultado das investigações.