Uma operação integrada entre a Polícia Civil do Espírito Santo, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Penal impediu a possível aquisição de armamento pesado que seria destinado ao tráfico de drogas no bairro Planalto Serrano, na Serra. A ação resultou na apreensão de cerca de R$ 200 mil em dinheiro, que seriam utilizados para a compra de fuzis de grosso calibre na Rocinha, no Rio de Janeiro. Os criminosos chegaram a usar um bebê de oito meses para simular viagem familiar.
Segundo as autoridades, a investigação começou após informações repassadas pelo serviço de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, indicando que integrantes de uma organização criminosa capixaba estariam se deslocando para adquirir armas.
Dinheiro escondido em bolsa de criança
De acordo com o delegado responsável pelo caso, os criminosos utilizaram uma estratégia para despistar a fiscalização policial. Os veículos viajavam com casais e até uma criança de oito meses, criando a aparência de uma viagem familiar comum.
Durante a abordagem, o dinheiro foi encontrado escondido dentro de uma bolsa infantil, no banco traseiro de um dos carros.
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Segundo os investigadores, os veículos também apresentavam características planejadas para evitar suspeitas, como:
- Placas clonadas ou adulteradas
- Carros sem insufilme
- Casais ocupando os veículos para parecer uma viagem comum
As autoridades destacaram que a logística demonstrava alto grau de organização da quadrilha.
Cerco na BR-101
A partir das informações de inteligência, as forças de segurança montaram um cerco na BR-101, na altura do Ceasa, em Vila Capixaba, em Cariacica.
Inicialmente, a polícia acreditava que quatro veículos participavam da operação criminosa. Após levantamentos e monitoramento, foram identificados três carros saindo do bairro Planalto Serrano, na Serra.
- Dois veículos foram abordados pela PRF
- Um terceiro foi interceptado pela Polícia Penal
Foi justamente neste último que o dinheiro foi encontrado.

Líder do tráfico teria ordenado a operação
As investigações apontam que a operação teria sido ordenada por Diego, conhecido como “Astro”, apontado como comandante do tráfico de drogas em Planalto Serrano.
Ele atualmente está preso em um presídio no interior do Rio de Janeiro, mas, segundo a Polícia Civil, continuaria comandando ações da organização criminosa mesmo de dentro da unidade prisional.
De acordo com os investigadores, o plano da quadrilha seria:
- Comprar fuzis na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro
- Enviar as armas para fortalecer o tráfico em Planalto Serrano
A polícia também descobriu que o criminoso articulava um plano de fuga do presídio, possivelmente com apoio de outros detentos. Caso a fuga fosse concretizada, ele pretendia permanecer escondido na Rocinha, enquanto o armamento seria enviado para a Serra.
Suspeitos foram ouvidos
As pessoas que estavam nos veículos foram conduzidas à delegacia para prestar depoimento. Segundo a polícia, há indícios de que alguns deles possam ter sido apenas contratados para transportar o dinheiro.
Como não foi possível comprovar naquele momento o envolvimento direto com a compra do armamento ou com a organização criminosa, ninguém foi autuado em flagrante. Os veículos foram apreendidos e o dinheiro recolhido e depositado judicialmente.
Um dos envolvidos chegou a alegar que os R$ 200 mil seriam usados para comprar uma casa na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, versão considerada incompatível com os elementos levantados pela investigação.
Investigação continua
A Polícia Civil informou ao TN, que as investigações seguem em andamento, com o objetivo de identificar todos os envolvidos na organização criminosa e aprofundar a apuração sobre a tentativa de aquisição de armamento pesado.
Segundo os investigadores, a integração entre os órgãos de segurança foi fundamental para impedir que os fuzis chegassem ao Espírito Santo.
As autoridades destacaram que ações conjuntas de inteligência e monitoramento nas rodovias têm sido determinantes para combater o tráfico de armas e drogas no estado